O governo Bolsonaro e o fim da modernização conservadora

Desde a década de 1970, o conceito de “modernização conservadora”, cunhado pelo sociólogo estadunidense Barrington Moore Jr., em As origens sociais da ditadura e da democracia, tem nos auxiliado na compreensão do longo processo de revolução burguesa ocorrido no Brasil durante o século XX, com destaque para os períodos históricos iniciados com a Revolução de 1930 e o Golpe de 1964



Desde a década de 1970, o conceito de “modernização conservadora”, cunhado pelo sociólogo estadunidense Barrington Moore Jr., em As origens sociais da ditadura e da democracia, tem nos auxiliado na compreensão do longo processo de revolução burguesa ocorrido no Brasil durante o século XX, com destaque para os períodos históricos iniciados com a Revolução de 1930 e o Golpe de 1964.

Junto aos conceitos de “via prussiana” (Lênin), “desenvolvimento desigual combinado” (Trotski) e “revolução passiva” (Gramsci), a “modernização conservadora” foi em grande parte responsável pelo afastamento intelectual em relação à “razão dualista” que iluminava a forma de pensar dos setores majoritários da esquerda nacionalista – comunistas inclusos – até o “milagre econômico brasileiro” dos anos Garrastazu Médici.

Utilizado pelos principais nomes do pensamento social marxista brasileiro – em especial, por Francisco de Oliveira, Florestan Fernandes, Luiz Werneck Viana e Carlos Nelson Coutinho –, o conceito de “modernização conservadora” nos fez perceber que o Brasil havia se tornado um país plenamente capitalista mantendo intactas as suas estruturas sociais profundamente hierarquizadas e desiguais.

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Por não terem sido refratários ao receituário neoliberal, em maior ou menor medida, os oito anos de governo FHC e os catorze anos de governo Lula e Dilma não foram capazes de fazer reverter as mazelas de um processo que, por um lado, transformou o agronegócio na locomotiva da economia nacional, e, por outro lado, resultou na construção de uma nação que ocupa as primeiras posições dos rankings de desigualdade social no mundo.

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Pois bem, lamento dizer que, com o governo Bolsonaro, a “modernização conservadora” brasileira parece ter chegado ao seu fim – não no sentido de término, mas sim entendida como finalidade (telos em grego). Aproveitando-se do impulso gerado pela conjunção histórica entre pandemia, negacionismo, ultra-neoliberalismo e autoritarismo, em 2020, o agronegócio passou a representar ¼ do PIB nacional, enquanto o 1% mais rico da população brasileira passou a deter metade da riqueza do país.

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