O governo da bagunça

"Pior do que isso tudo é a hipótese de que Jair Bolsonaro conhecia, sim, as medidas de enxugamento do BB em detalhes, terá concordado com elas mas que, diante das reações, mudou de ideia. Isso também é terrível para um gestor, seja ele responsável por uma carrocinha de cachorro-quente ou por um país", aponta a jornalista Helena Chagas

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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Jair Bolsonaro pediu a cabeça do presidente do Banco do Brasil, André Brandão, porque ele anunciou na segunda-feira um drástico plano de enxugamento, com a extinção de mais de 300 unidades Brasil e afora e um plano de demissão voluntária para cortar cinco mil funcionários. Mais do que confirmar que o liberalismo de Bolsonaro é de araque, o episódio mostra, acima de tudo, que a gestão do governo é uma bagunça. Afinal, embora seja uma empresa de capital aberto, o BB é um banco estatal, controlado administrativamente pelo  Executivo, que nomeia todos os seus principais dirigentes. 

Bolsonaro não sabia da reforma do BB? Impossível, pois no presidencialismo à brasileira esse tipo de ação tem que ser aprovada pelos escalões superiores, começando pelo ministro da Economia. Assessores do BB e da Economia contam que Paulo Guedes aprovou o plano, que este foi levado ao Planalto. Então, Bolsonaro sabia. Aliás, se não soubesse seria um caso mais grave ainda de desgoverno.

O mais provável é que o presidente da República não tenha lido, ou não tenha entendido bem o alcance das medidas que seriam anunciadas por Brandão: extinção de agências e dispensa de funcionários em meio à crise do desemprego, o que sempre tem impacto político. Também esta é uma possibilidade vexatória, por expor um presidente que não lê o que recebe ou não entende no que ouve. Um desastre.

 Pior do que isso tudo é a hipótese de que Jair Bolsonaro conhecia, sim, as medidas de enxugamento do BB em detalhes, terá concordado com elas mas que, diante das reações, mudou de ideia.  Isso também é terrível para um gestor, seja ele responsável por uma carrocinha de cachorro-quente ou por um país. Concordar com decisões administrativas de subordinados, permitir que sejam tomadas e depois recuar, deixando a bomba estourar nas mãos de terceiros, é mais do que incompetência – é molecagem.   

Seja qual for a explicação verdadeira, ou ainda que várias das alternativas acima possam ser assinaladas, independentemente de seu desfecho a crise do BB mostra que o governo é uma bagunça. E que é em meio a esse desgoverno que começará a vacinação de  milhões de  brasileiros para evitar que sejam mortos pela Covid-19.  

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