Bolsonaro será massacrado ou ridicularizado na ONU

"Nesta terça acontecerá a abertura do novo período da Assembléia Geral de la ONU. Por tradição, cabe ao presidente brasileiro o discurso inaugural. Será uma oportunidade de ouro para Bolsonaro expor ao mundo sua visão sobre o que acontece no Brasil, com ênfase na questão da Amazônia", constata Eric Nepomuceno. "Se disser essa e outras verdades, Bolsonaro será massacrado. Se mentir, como se espera dele, será ridicularizado", acrescenta

(Foto: ADRIANO MACHADO - REUTERS)

Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia - Na sexta-feira 20 de outubro os médicos que tratam de Jair Bolsonaro o examinaram em Brasilia e decidiram liberá-lo para viajar a Nova York. O ultradireitista continua se recuperando da cirurgia de uma hérnia abdominal.

Na mesma sexta-feira milhões de manifestantes saíram às ruas de mais de 150 países em protesto contra o aquecimento global e como forma de pressão sobre os líderes globais, nas vésperas da Cúpula de Ações Climáticas da ONU na segunda dia 22 em Nova York. 

O Brasil não se pronuncia na reunião, encabeçada pelo português Antônio Guterrez, secretário-geral das Nações Unidas, pela simples razão de não ter enviado nenhuma proposta relacionada ao tema. 

Nesta terça acontecerá a abertura do novo período da Assembléia Geral de la ONU. Por tradição, cabe ao presidente brasileiro o discurso inaugural.

Será uma oportunidade de ouro para Bolsonaro expor ao mundo sua visão sobre o que acontece no Brasil, com ênfase na questão da Amazônia.

Nos últimos dias fontes do governo falaram à imprensa sobre alguns dos temas que serão abordados: defesa intensa da soberania nacional, aclarações sobre a situação ambiental e as medidas de proteção adotadas, e, ao mesmo tempo, críticas contundentes a Cuba e Venezuela. 

Tambem informaram de reuniões entre o presidente, seu filho deputado Eduardo, e os ministros de Relações Exteriores, uma aberração chamada Ernesto Araujo, e de Segurança Institucional, o ultra-reacionário general Augusto Heleno Pereira. 

Nesses encontros foi elaborado o discurso que Bolsonaro pronunciará. Esqueceram de mencionar que as linhas básicas vieram de Steve Bannon, ex assessor de comunicação de Donald Trump e cabeça de um movimento neofascista que pretende se expandir pelo mundo.

Até que ponto Bolsonaro será honesto em suas palavras? Será possível crer no que diga? Irá repetir que o aquecimento global não passa de manobra do ‘marxismo cultural’?

Antônio Guterrez deu ênfase ao que dizem prácticamente todos os cientistas do mundo: se não forem adotadas medidas urgentes, neste século a temperatura aumentará pelo menos três graus. Teremos catástrofes naturais de todo tipo, de secas cruéis a inundações ferozes, o nivel do mar subirá drásticamente, perderemos parte substancial das selvas, entre outros horrores. 

O Brasil tem responsabilidade direta nessa luta. Mas, para Bolsonaro, o que dizem os cientistas mundo afora é pura balela.

Agora, é esperar para ver se ele terá dignidade suficiente para, diante de representantes e chefes de governo ou Estado de mais de 190 países, revelar ao mundo o que emissários e assessores dele anunciam em reuniões ultra-privadas com empresários, possíveis investidores, chefes políticos e militares de diferentes graduações. 

Documentação obtida pelo The Intercept, do jornalista norte-americano Glenn Greenwald, e que inclui a gravação do que foi dito em um desses encontros, mostra que o verdadeiro projeto do governo para a Amazônia consiste em adotar medidas para ocupar a região e assegurar a tão propalada soberania nacional, enquanto se evitam ameaças externas, algumas delirantes como uma possível invasão chinesa pela fronteira do Suriname para se apoderar de ‘áreas do solo pátrio’. 

Entre as iniciativas concretas do governo apresentadas nessas reuniões, que começaram em fevereiro, está o aumento da exploração de minério, a abertura de ‘zonas cultiváveis’, além da revisão dos ‘obstáculos’ representados por reservas indígenas, quilombolas e áreas de proteção ambiental. Também se planeja realizar ‘grandes obras’ e, claro, flexibilizar a ‘indústria das multas’, o seja, a fiscalização.

Se disser essa e outras verdades, Bolsonaro será massacrado. 

Se mentir, como se espera dele, será ridicularizado. 

Esse o seu grande dilema.

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