O impeachment e a sociedade do espetáculo

As justificativas bradadas por Vossas Excelências na fase de votação do impeachment foram um show a parte. Para usar a palavra da moda, há indícios de que alguns sequer sabiam do motivo do impedimento da presidenta e outros flagrantemente foram participar de um show, mas de horrores

Infelizmente a demonstração dos parlamentares no dia 17 de abril de 2016, entrará para a história como provavelmente o dia mais grotesco em rede nacional que a Câmara dos Deputados já mostrou. As justificativas bradadas por Vossas Excelências na fase de votação do impeachment foram um show a parte. Para usar a palavra da moda, há indícios de que alguns sequer sabiam do motivo do impedimento da presidenta e outros flagrantemente foram participar de um show, mas de horrores.

Sob a farsa do combate à corrupção, manobra eficaz em um cenário de instabilidade política, econômica, elevado desemprego e alta inflação, os incautos deixam escapar a que vieram e quais seus reais propósitos, que notadamente estão mais a serviço de um coliseu midiático, buscando seus 30 segundos de fama, do que expor de maneira fundamentada suas razões pelo impeachment. Um verdadeiro acordo de compadres políticos partícipes da sociedade do espetáculo, seguindo religiosamente seu princípio máximo de jamais desperdiçar uma oportunidade de aparecer, principalmente pelo fato de que dos 513 parlamentares apenas 35 deputados foram eleitos diretamente pelo próprio voto, os demais foram eleitos pela legenda, portanto são totalmente desconhecidos dos "eleitores".

Foram discursos inflamados, cheios de "convicção", sobre o que pareciam desconhecer ou desdenhar, na justificativa do voto sobre o relatório do impeachment. A tônica era homenagens aos filhos, mulheres, tias, ao cachorro, papagaio e à Deus, não necessariamente nesta ordem, mas raramente se fez referência a matéria crime de responsabilidade, o motivo central de toda aquela "festa". Sim, o clima de copa do mundo se revelava nos semblantes e atitudes efusivas dos parlamentares, aguardando-se apenas a "vitória", sabe-se lá para quem, da grande peleja.

Esse fato é reflexo do baixo nível educacional de nossa sociedade e não me refiro a educação técnica, pois ainda que seja de bom nível, não contribui com a visão de cidadania, não contextualiza o indivíduo na sociedade, não permite entender como a sociedade se organiza e quais suas engrenagens. Talvez seja de propósito e neste caso menos é sempre mais. Tal fato impede o desenvolvimento da capacidade de se estabelecer análises críticas, mesmo que superficiais, de formas de sistemas socioeconômicos e suas implicações. O resultado é o analfabetismo político, o preconceito, a discriminação, a visão retrógrada e falta de informação embasada, implicando geralmente no baixo nível ou limitação da discussão, facilitando-se a manipulação de alguns indivíduos, seja na sociedade ou no parlamento.

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