O impeachment e o grito de liberdade

O movimento que foi deflagrado na última terça-feira foi um golpe, muito mais do que um golpe nas instituições, nos princípios jurídicos básicos, na democracia. Muito mais que um movimento revanchista de um corrupto

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O pedido de impeachment traz um novo cenário para a política. E por que não dizer para a esquerda brasileira? O governo progressista eleito democraticamente em 2014, que desde a vitória de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara Federal estava nas cordas em decorrência de Cunha e sua corja de achacadores, tira um grande peso das costas. A luta que antes era travada nos bastidores, guiada pela chantagem permanente e a tentativa de criar um ambiente de letargia econômica, agora ganha novos contornos.

Liberto da famosa governabilidade decorrente do modelo presidencialista de coalização, e com disposição para enfrentar os golpistas oposicionistas, que fizeram do ano de 2015 um grande terceiro turno. A presidenta Dilma e o campo progressista abrem novamente o diálogo com a grande base social popular que nos possibilitou a vitória no segundo turno de 2014, que construiu toda essa história vitoriosa da esquerda brasileira. Agora, nos dá a esperança de começar a vislumbrar novos ares e novas perspectivas.

Não será de forma alguma um momento fácil. A grande mídia e o capital financeiro internacional já deram sinais do lado que estarão nessa grande batalha que vamos viver, aliás, permaneceram do lado que sempre estiveram, do lado de seus interesses escusos, na busca de arrancar sempre mais dos que não têm, de fazer sucumbir o povo brasileiro e suas riquezas, para encher seus bolsos e suas mesas de caviar e champanhe.

Porém, permance a esperança, esperança assentada sob esse diálogo que esse momento está restabelecendo entre o Planalto e a esquerda, entre o governo progressista e a classe trabalhadora, por que o que está em jogo vai muito além da simples defesa do Estado Democrático de Direito, que tem sido afrontado dia após dia pelo presidente da Câmara e pela oposição personificada no PSDB. E mesmo que fosse somente a defesa da democracia, já valeria a pena essa batalha, mas o que está em jogo é o modelo de Brasil que queremos para as gerações vindouras e para nossa própria geração.

Todos os ganhos sociais que tivemos nos últimos 12 anos de governos democráticos estarão à prova. Negros, índios, estudantes, mulheres, LGBTs, trabalhadores e trabalhadoras que foram reconhecidos como sujeitos de direito durante esse processo, e para os quais o Estado passou a olhar, devem ter claro que essa guerra que será travada não é uma disputa entre oposição e governo, mas uma guerra dos ex-excluídos contra os que nunca quiseram incluir.

O movimento que foi deflagrado na última terça-feira foi um golpe, muito mais do que um golpe nas instituições, nos princípios jurídicos básicos, na democracia. Muito mais que um movimento revanchista de um corrupto que viu sua cabeça na guilhotina, foi um golpe no povo, um povo que democraticamente elegeu um governo, que democraticamente escolheu continuar o caminho da inclusão social, da promoção de justiça social, um povo quer ver seu país passado a limpo, liberto das mazelas da corrupção, um povo que quer continuar garantido suas liberdades individuais. Um povo que foi às urnas em 2014 com essas convicções e que deverá ir às ruas para continuar assegurando seus direitos!

Esse rompimento definitivo com Cunha e seus achacadores, e a decisão (acertadíssima) de ir para o campo de batalha enfrentar os golpistas do terceiro turno só nos deixa uma certeza: Que não temos nada a perder, somente as correntes!

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