O inferno são os outros

Foi Jean-Paul Sartre quem definiu melhor do que ninguém a perspectiva social nesses tempos de pandemia, em sua peça teatral. "Hui clous" - 'l' infern sont les outres" (O inferno são os outros)

(Foto: Reuters)
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Foi Jean-Paul Sartre quem definiu melhor do que ninguém a perspectiva social nesses tempos de pandemia, em sua peça teatral. "Hui clous" -
I' infern sont les outres" (O inferno são os outros). Se bem que menos pessimista do que Strinberg: "O inferno é aqui". A perspectiva sartreana foi depois modificada com o seu engajamento político na luta antifascista na França, onde ele acrescenta que nós somos sempre seres "em situação " que exige de cada um uma escolha ou uma decisão. A dele foi lutar contra o invasor alemão. 

Estas considerações vêm muito a propósito do debate que se abriu em relação ao distanciamento social e o medo do contágio, que vem se disseminando na sociedade contemporânea. Disse-me um amigo - presença constante nessa página -, que esse medo social foi precedido por um tipo de sociabilidade anômala, infensa a solidariedade e ao cuidado de uns com os outros e com a natureza.

Autores de diversos matizes filosóficos já haviam salientado antes que os indivíduos vinham se tornando mais isolados, autocentristas, inaptos para o convívio social, em função do tipo de sociedade (pós-moderna, do espetáculo ou do simulacro ou ainda líquida) que se estabeleceu depois dos anos 70. Esta aridez e escassez de humanidade nas relações sociais (através de uma modalidade de 'narcisismo primário" ou "eu mínimo" foi quem preparou o caminho para essa mixofobia entre iguais, não desiguais, que estamos experimentando hoje em dia. 

De toda maneira, a questão é relevante para se especular ou definir que tipo de perfil social emergirá da sociedade pós-pandemia: mais solidária, mais humana, preocupada com o cuidado mútuo, na relação de alteridade com o outro, ou se uma sociedade pior do que a que herdamos, antes da pandemia? 

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