O insuperável se supera

"Mais que mentira se trata de uma boçalidade sem limites", escreve o jornalista Eric Nepomuceno sobre a mentira espalhada por Jair Bolsonaro que associa vaciação à Aids

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(Foto: Reprodução)


Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia 

A esta altura ninguém deveria sentir-se no direito de se surpreender com a incrível capacidade de Jair Messias expelir estupidezes cada vez que abre a boca. E no entanto ele continua exibindo dotes olímpicos para se superar de maneira formidável.

A mais recente das estupidezes expelida pela boca presidencial conquistou de saída o posto de insuperável em relação a todas as anteriores. Vamos ver até quando vai permanecer no pódio nada glorioso mas tão almejado pelo genocida psicopata.  

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Na noite da quinta-feira passada, na sempre patética transmissão que ele faz ao vivo nas redes sociais – a tal chamada live – Jair Messias mudou suas críticas enfermiças e enfermas à vacina contra Covid-19.

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Agora, quem se vacina já não corre apenas o risco de virar jacaré, ou de mulher acordar com barba no rosto e homem passar a ter a voz fininha. Não, não: agora quem completa as doses de vacina pode rapidamente ter AIDS.

Mais que mentira se trata de uma boçalidade sem limites. Segundo Jair Messias, estudos levados a cabo pelo governo britânico chegaram a essa tremenda conclusão.  

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Foi de imediato desmentido pelo governo britânico, por médicos e cientistas de tudo que é lado, pela Organização Mundial da Saúde.  

Dias depois, tanto o Facebook como o Instagram tiraram o vídeo de circulação. E agora deputados entram no Supremo Tribunal Federal com uma queixa-crime sobre o demencial mandatário.

E sobre sua mais que desequilibrada cabeça despencou uma avalanche de duríssimas críticas de médicos, pesquisadores e cientistas.

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Separei duas, que resumem o grau de indignação diante da atitude de Jair Messias.

Carlos Lula (nenhum parentesco, vale advertir, com o ex-presidente...), presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, que reúne representantes de todos os estados, fuzilou a afirmação de Jair Messias, classificando sua fala como “absurda, trágica, falsa, mentirosa e grotesca”.

Já o doutor Jamal Suleiman, infectologista mais que respeitado, enfatizou o absurdo da declaração presidencial, recordando uma obviedade estrondosa: a AIDS se transmite em relações sexuais ou no uso compartilhado de seringas, enquanto a Covid-19 se transmite pelo ar.

E tocou num ponto que certamente vai mexer com Jair Messias, que se apresenta insistentemente como macho-muy-macho: disse o doutor Suleiman que “o presidente tem uma fixação anal e deve ir para um divã”.

Farei aqui um tremendo atrevimento: não creio, estimado doutor Suleiman, que divã algum vá adiantar nesse caso específico. A solução está, primeiro, em camisa de força. E depois, confinamento permanente.

Enquanto isso, a expectativa minha e de todos nós é como o desequilibradíssimo mandatário conseguirá superar tamanha e tão patética estupidez. Pelos antecedentes, Jair Messias merece um voto de confiança.

Mas, cá entre nós, desta vez a disputa será especialmente difícil... 

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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