O interesse e a solidariedade na Europa pela luta do povo brasileiro

Há uma pergunta que não quer calar. Que fará a esquerda em caso de impeachment? Nossa resposta foi que vamos lutar com todas as forças para impedir

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Há grande expectativa na Europa sobre o desenvolvimento do quadro político brasileiro. No velho continente circulam as mesmas versões difundidas pelos meios de comunicação daqui sobre a evolução da crise em nosso país. Afinal, a mídia monopolizada não é um privilégio nosso. Também lá, a impressão que se tem ao ler os jornais e assistir aos noticiários televisivos é de que existe hoje no mundo uma única agência global de (des) informação.

Há um agravante no noticiário em Portugal, devido à presença da Globo, com seus parceiros locais e por meio do canal a cabo, e da Record, ambas transmitindo péssima imagem do país. Esta última com doses indigestas de obscurantismo pentecostalista.

Entre as forças de esquerda há vivo interesse com o Brasil e solidariedade a nosso povo. Foi o que senti ao tomar contato com centenas de pessoas nas festas do "Avante!" (Partido Comunista Português) e do "Humanité" (Partido Comunista Francês) nos dois primeiros finais de semana de setembro. Milhares de portugueses passaram pelo stand brasileiro na magnífica festa comunista lusitana, o maior evento político-cultural de Portugal, e indagaram, entre caipirinhas e feijoadas, aos militantes do PCdoB que lá estavam sobre se o Brasil manterá a democracia e o Governo da presidenta Dilma avançará com um programa de mudanças, ou se o país sucumbirá ao golpe. Perguntam-nos também se, com golpe ou sem golpe, o governo será constrangido a aplicar o programa da oposição neoliberal-conservadora.

Na Festa do "Humanité", além de inúmeros bate-papos, protagonizamos um debate com centenas de pessoas, em que participaram também representantes de Cuba, Venezuela e Colômbia. Não podia senão afirmar a tanta gente amiga e solidária, companheiros e companheiras de todo o mundo, que a esquerda brasileira está em posição de resistência e luta, disposta a mobilizar o povo em torno da defesa do mandato democrático, legítimo e constitucional da presidenta Dilma Rousseff como pressuposto da defesa da democracia.

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Compartilhamos informações e opiniões sobre o empenho dos militantes de esquerda brasileiros na construção de uma frente ampla de caráter nacional, popular e democrático, premissa para unir o povo contra inimigos tão poderosos como são as classes dominantes e o imperialismo.

Há uma pergunta que não quer calar. Que fará a esquerda em caso de impeachment? Nossa resposta foi que vamos lutar com todas as forças para impedir o impeachment. E não admitimos qualquer saída para a crise política brasileira que não seja o pleno cumprimento do mandato conquistado democraticamente nas urnas. O Impeachment e a conseguinte posse do vice-presidente da República, Michel Temer, principal líder do PMDB, seriam golpes antidemocráticos a rechaçar veementemente.

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Foi educativo falar com tanta gente, em conversas olho no olho, explicando obviedades que parecem ocultas. A todos os que se acercaram dissemos que na fase difícil que o Brasil está atravessando será inevitável tomar algumas medidas econômicas amargas as quais, sendo provisórias, não constituem critério definidor para a retirada do apoio político ao governo progressista liderado por Dilma.

Por óbvio, a esquerda lutará sempre por uma estratégia política e de gestão econômico-financeira com premissas e medidas populares e patrióticas; apoiará o governo como meio de fazer avançar a luta pelas reformas estruturais democráticas, os direitos do povo, a soberania nacional e a integração latino-americana. Mas a condição sine-qua-non para o futuro da democracia no Brasil é a continuidade do governo legítimo, estando fora de cogitação apoiar uma alternativa imediata sem Dilma. Enquanto não terminar seu mandato constitucional e democraticamente conquistado, em 31 de dezembro de 2018, qualquer arranjo que se faça, a partir da eventual destituição da presidente será golpe. E terá a oposição da esquerda.

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