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Henrique Pinheiro

Henrique Pinheiro é economista e executivo do mercado financeiro com mais de quatro décadas de atuação no Brasil e no exterior. Trabalhou em instituições como Merrill Lynch e Wells Fargo, e atualmente atua na Bolton Global Capital, em Miami. É autor de Crônicas de um Mercado sem Pudor e produtor do documentário Terra Revolta: João Pinheiro Neto e a Reforma Agrária.

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O Irã não caiu. O mundo pagou a conta

Trégua expõe limites da guerra e espalha inflação pelo planeta

Ilustração mostra as bandeiras do Irã e dos EUA 27/01/2022 REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa (Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa)

O Irã saiu ferido, mas longe de derrotado.

Após semanas de ataques e ameaças de destruição total, o que se viu foi pressão, não colapso.

Infraestruturas foram atingidas, exportações afetadas, mas o Estado permaneceu funcional.

O Irã segue de pé e negociando.

Isso muda tudo.

Não houve queda de regime. Não houve perda de controle territorial. Não houve rendição.

Ao contrário, o Irã chegou à mesa impondo condições, como a reabertura do Estreito de Hormuz.

Do outro lado, os Estados Unidos recuaram do limite. Donald Trump, que ameaçava destruição total, aceitou uma trégua de duas semanas.

Não é paz. É pausa.

E pausas, na história, raramente são o fim.

Enquanto isso, o mundo já paga a conta.

O petróleo disparou. O risco geopolítico foi imediatamente precificado. E a inflação voltou pela porta da energia.

Energia mais cara contamina tudo. Do transporte ao alimento. Do custo ao consumo.

Mais uma vez, a geopolítica vira inflação global.

E, como sempre, a narrativa reaparece. Armas nucleares.

Historicamente, serviram de justificativa para pressão e intervenção. Mas carregam uma ironia perigosa.

Quanto maior a ameaça externa, maior o incentivo interno para desenvolver dissuasão. Não por ideologia. Por sobrevivência.

Nenhum país pressionado abre mão de se proteger. Vide o Irã.

Esse é o risco real daqui para frente. Não o que foi destruído, mas o que pode ser criado em resposta.

O Irã não venceu. Os Estados Unidos também não.

Mas o mundo saiu mais caro. Mais instável. Mais tenso.

Não houve vitória. Houve reposicionamento.

E, como sempre, quem paga não decide.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.