O jogo das narrativas

É desnecessário, mas há uma satisfação lembrar que esse circo de relações criminosas e todos os seus personagens, inclusive as instituições públicas, não passarão despercebidos pela história

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Lula e Dilma, até pouco antes de se revelarem as mentiras da operação Lava Jato, passaram anos respondendo a perguntas sobre malfeitos atribuídos a eles, jamais comprovados. Essa mesma imprensa se sujeita aos comportamentos mais abjetos de Bolsonaro para sustentar o ministro da Economia de outros países, Paulo Guedes. Os donos dos jornais, servos do mercado financeiro, que submetem seus profissionais à exposição de curralzinho tomado de apaixonados, onde são orquestradamente atracados, passarão pano, mais uma vez, para uma resposta digna de um dono de curral, mas nunca do presidente de uma República. De qualquer forma, a declaração foi uma carapuça vestida até os calcanhares pelo mandatário da nação.

Bolsonaro respondeu como um bicho acuado, pego com a pata em cima da galinha. O ódio dele é porque depósito em conta é muito mais difícil de explicar do que uma delação premiada arrancada a fórceps, para ser capa de revista, às vésperas de eleição. É esse o estado de coisas que o Brasil está vivendo. Sobre uma despolitização social que não percebe a quantidade, sorte e graus de barbaridades produzidos impunemente por um presidente que se comporta como bobo da corte, o governo vai passando as boiadas dos retrocessos político, econômico, cultural, social, entre outros. Bolsonaro berra, na cara da sociedade inerte, que não dará satisfações de quase R$ 90 mil reais na conta da primeira-dama, e fica por isso mesmo. Já a imprensa comercial, que massacrou a dona Marisa Letícia por um erro da Justiça de São Bernardo do Campo, ficará calada diante de mais uma digital do Queiroz na família, desta vez, em Michelle, que nem cosmético vende.

É desnecessário, mas há uma satisfação lembrar que esse circo de relações criminosas e todos os seus personagens, inclusive as instituições públicas, não passarão despercebidos pela história. Quem conduz a opinião pública é, majoritariamente, uma imprensa altamente concentrada e comprometida com a classe dominante. Cada disparate de Bolsonaro ou desdobramento de alguma investigação, ou decisão sobre os crimes que pesam sobre a família, é mantido como pauta do debate geral comum, sem consequências. Enquanto a sociedade está atenta ao próximo capítulo de uma eterna novela, Bolsonaro e Paulo Guedes entregaram, por R$ 500 milhões, uma usina eólica na qual o Estado investiu R$ 3 bilhões. Os depredadores concederam, por R$ 177 milhões anuais, duas fábricas de fertilizantes da Petrobras. A empresa que passará a explorá-las lucrará R$ 2 bilhões por ano. O lucro de uma empresa de todos os brasileiros será de uma única empresa.

Bolsonaro e Paulo Guedes são a mentalidade predadora da casa-grande. Esse é o investimento que fazem no desenvolvimento do País. A empresa reverterá o lucro para gerar mais lucro e não produzirá outro benefício social que não o de recolher seus impostos. E, assim, fazem o mesmo com a Caixa, a Petrobras, o Banco do Brasil, os Correios, a Casa da Moeda, Dataprev. Enquanto a imprensa mantém a sociedade numa espécie de último capítulo do fim do mundo, que nunca acontece, esconde que o presidente entrega a soberania e os dados de todos os brasileiros para o lucro de empresas privadas e ao desenvolvimento de outros povos. Uma relação absurda da família Bolsonaro com personagens do alto escalão da máfia hipnotiza a população que, estranhamente, não se indigna com isso e nem com a falta de medicamentos, materiais médicos e EPIs. Para sair desse transe, a esperança está na insubmissão da classe trabalhadora e de setores da classe média, que têm o poder de mobilização para o Brasil retomar o desenvolvimento que viveu entre 2004 a 2016.

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