O latino de estimação dos Estados Unidos

Enquanto que os americanos do norte buscaram sequestrar o continente com o título 'Estados Unidos da América', os latino-americanos cunharam o termo para defender a ideia de unidade regional frente intensão ainda contemporânea de dominação nortista

Enquanto que os americanos do norte buscaram sequestrar o continente com o título 'Estados Unidos da América', os latino-americanos cunharam o termo para defender a ideia de unidade regional frente intensão ainda contemporânea de dominação nortista
Enquanto que os americanos do norte buscaram sequestrar o continente com o título 'Estados Unidos da América', os latino-americanos cunharam o termo para defender a ideia de unidade regional frente intensão ainda contemporânea de dominação nortista (Foto: Túlio Ribeiro)
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O cerne da questão sobre a denominação América Latina é a identificação do seu indivíduo que possui início em contendas políticas e ideológicas. Os vínculos estão em disputas originadas entre antagonismo de latinos católicos e anglo-saxões protestantes. Enquanto que os americanos do norte buscaram sequestrar o continente com o título 'Estados Unidos da América', os latino-americanos cunharam o termo para defender a ideia de unidade regional frente intensão ainda contemporânea de dominação nortista.

Este debate que perdurou pela História demonstra como é presente a concepção de duas Américas. Por um lado o conceito de integração e auto-determinação dos que se olham como semelhantes, por outro fazer um contraponto aos anglo-americanos. O decorrer da História fez os latinos estarem presentes em todo continente, incluído as terras subtraídas do antigo México, entretanto a defesa dos interesses nortistas penetrou principalmente numa elite latino-americana.

Em que pese a farta exemplificação, atualmente pode-se concentrar no caso do secretário-geral Luis Leonardo Almagro Lemes, da OEA (Organizações dos Estados Americanos), e sua servil ação em perseguir a Venezuela no intuito de entregar aos estadunidenses as reservas de petróleo bolivarianas.

O advogado internacionalista foi chanceler do Uruguai entre 2010 e 2015, no popular governo de Jose Pepe Mujica, depois de ser embaixador na China. O apoio do ex-presidente e sua proximidade aos líderes progressistas garantiu 33 dos 34 votos possíveis. Então ministro das Relações Exteriores, implantou uma política de levar o país platino para força do Haiti e ainda recebeu prisioneiros de Guantánamo, pautas que foram de encontro aos objetivos estadunidenses.

Apesar de sua função oficial ser de assessorar o interesse coletivo das nações, Almagro passou atuar na sede de Washington como uma força política em sintonia com as metas do norte. Especificamente na seara venezuelana a ação era de dar suporte a oposição para derrubar o governo, através de uma ideia obstinada de impor uma carta 'democrática' que permitisse uma invasão pelos EUA. Diante das recorrentes superações do governo Nicolás Maduro, passou organizar financiamento e fornecimento de armas para as 'guarimbas' que em abril de 2016 trouxeram 139 mortes, sendo 29 pessoas queimadas vivas que originaram 9 óbitos.

Diante de derrotas Almagro depositou esforços no VII Encontro das Américas, neste 13 e 14 de abril, que visa uma autorização para materializar planos contra Caracas e Havana. Neste intento conta com apoio político e financeiro das estreitas relações com grupos contra-revolucionários da elite estadunidense e da direita latino-americana.

A posição fica mais clara ao reconhecer a violência como legítima para solapar um governo eleito, se valendo da existência de tortura sem qualquer registro pela ONU. O discurso foi proferido na véspera da 'cumbre', no Foro de Jovens:


"Uma saudação especial a todos jovens que são obrigados a lutar e guerrear por seus direito, para reafirma-los dia a dia(...) enfrentando a situação de tortura, repressão e detenções."

Almagro, um dos protagonistas da guerra econômica que impede a população venezuelana ter acesso a alimentos e medicamentos, não atua como um secretário-geral dos países membros, e sim por um modelo de subordinação as tratativas dos Estados Unidos. Ante as manifestações de apoio nas ruas de Lima, o esvaziamento do encontro com impeachment do presidente do Peru bem como turbulências políticas na Colômbia e no Brasil, Almagro tem um campo reduzido de ação neste momento. A pesquisa feita pela instituto chileno Datanalisis indica que 57,5 % referendam as eleições presidenciais do próximo dia 20 maio, o país não tem o voto como obrigatório. Corrobora com esta análise a nova pesquisa eleitoral do instituto Delphos que aponta Nicolás Maduro com 42%, enquanto o liberal Henry Falcon estaciona em 30%.

Em outras ordens de ideias, o acirramento da crise na Síria que colocou os Estados Unidos em choque direto com a Rússia, Irã e indiretamente com a China no campo econômico e estratégico, afastou Donald Trump do encontro em Lima. O presidente estadunidense, envolto numa cadeia eminente de guerras que fomenta, tem como efeito prático sucessivos recuos como no caso da Coreia do Norte.

Em meio a tantos desafios, Luis Almagro tem se mostrado incapaz de entregar aos anglo-americanos mais um capítulo da tentativa neo-colonial. Esta situação revela uma posição de alíviol para os verdadeiros latinos, que escolheram ainda na sua denominação cunhar de forma consciente a escolha pela integração, refutando a forma servil exigida pelos americanos do norte.

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