O legado de Gushiken e o horizonte de 2026
Por uma nova ordem e um parlamento democrático
Em 13 de setembro de 2013, o Brasil perdia Luiz Gushiken, um líder, pensador e articulador brilhante, cujo legado nos ajuda a pensar sobre os desafios dos democratas e defensores das causas populares 40 anos depois das eleições que o elegeram deputado constituinte, em 1986.
Sua ausência física é sentida, mas o seu pensamento estratégico nunca foi tão urgente. Gushiken não era apenas um líder político; era o conselheiro que, ao lado de Lula, insistia na prioridade de uma Nova Ordem Mundial — um sistema internacional fundamentado na democracia real, na harmonia entre as nações e na superação das desigualdades estruturais.
As eleições parlamentares deste ano carregam um peso que transcende nossas fronteiras. Elas não são apenas uma disputa por cadeiras; são a definição da nossa capacidade de sustentar o protagonismo internacional de Lula. Como o próprio presidente costumava dialogar com Gushiken, para que o Brasil lidere a defesa de uma ordem global mais justa, é preciso que “dentro de casa” a correlação de forças no Congresso Nacional seja contundente e favorável às causas populares.
Inspirar-se em Gushiken em 2026 significa compreender que o Parlamento não pode ser um reduto de retrocessos ou um palco de violência que silencia as novas vozes da democracia — como as mulheres que hoje lutam contra a violência política de gênero sob a égide da Lei 14.192/2021. Se queremos um Brasil que projete igualdade para o mundo, precisamos de um Congresso que espelhe essa igualdade em sua composição e em sua prática cotidiana.
A vitória de um governo progressista com inserção mundial, como a que Lula representa, exige uma retaguarda legislativa que não apenas permita governar, mas que compartilhe do sonho que movimentou milhões de brasileiros na década de 1980. Honrar a memória de Gushiken é atuar de forma firme e organizada nestas eleições, assegurando que o Parlamento brasileiro seja, enfim, o pilar de sustentação para um novo tempo de desenvolvimento, soberania e justiça social, no Brasil e no mundo.
O PT e os partidos à esquerda disponibilizam candidatos e candidatas dotados de qualificação e compromissos efetivos com a democracia e com as causas populares. São muitas as opções para os eleitores e eleitoras brasileiros em todos os estados deste imenso país. Mas o desafio não será apenas escolher bem. Para que consigamos conquistar e ocupar espaços de poder e criar as condições necessárias para que Lula, reeleito, possa fazer as mudanças estruturais de que o Brasil precisa e atuar com força por uma nova ordem mundial, marcada pelo multilateralismo e pela democracia, é preciso arregaçar as mangas, proteger os pés, lubrificar os dedos e entrar de corpo e alma na campanha. Até a vitória.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
