O lugar da TRANSformação é no agora

A sociedade em geral precisa, com urgência, criar oportunidades de vida digna para nossa comunidade trans e travesti

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Mais um janeiro da Visibilidade Trans, algumas conquistas, mesmas lutas e muito o que alcançar. Levantada a discussão, o quanto nós Cis gêneros podemos contribuir de forma positiva para os avanços necessários?

Em 29 de janeiro de 2004, 27 transexuais e travestis foram ao Congresso Nacional, em Brasília, reivindicar seus direitos. Na ocasião, o Ministério da Saúde formalizou um compromisso para a saúde da população LGBTQIAP+ com a criação de Comitê Técnico. Daí em diante outras importantes conquistas vieram, como: Nome social na rede SUS, o tratamento especial a saúde das pessoas trans, direito a retificação dos documentos via cartório, mas infelizmente também na mesma proporção muitos dados ainda nos chocam e nos fazem refletir do quanto ainda se faz necessário nossa sociedade aceitar e amar as pessoas trans do jeito que elas precisam.

Infelizmente o Brasil ainda é o país que mais mata pessoas trans no mundo, enquanto a expectativa de vida da população em geral é de 75 anos (segundo o IBGE) o das pessoas trans e travestis é de apenas 35 anos. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, em 2020 a violência contra pessoas trans aumentou em 17%. Dados como estes escancaram a extrema obrigação de conscientizarmos a população sobre a importância no acolhimento, seja com carinho, afeto, amor, mas principalmente, oportunidades e segurança a essas pessoas que são as mais expostas dentro da comunidade LGBTQIAP+.

Segundo a ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) mais de 90% das pessoas trans acabam recorrendo a prostituição como fonte de renda em algum momento da vida. Precisamos entender que isso não é pela “facilidade” (porque não é nada fácil) mas sim a única opção para essas pessoas que são marginalizadas na sociedade. E quase sempre é essa mesma sociedade héterocisnormativa que “consome” e é “consumida” por elas nos becos e vielas da vida noturna. Uma triste realidade escancarada e que passa despercebida diante dos olhos de muitos, ou é tão perceptível que preferem não enxergar a realidade.

É necessário também ressaltar a importância dos nossos governos criarem políticas públicas que atendam as necessidades da comunidade trans com o devido protagonismo que elas merecem. “Tanto dentro ou fora da nossa comunidade LGBTQIAP+ nós precisamos ceder o local de fala para a pessoas trans e negras, que são as que mais sofrem com o preconceito, a violência e a falta de oportunidades dentro da sociedade.” afirma Laytima Remedi, mulher trans, DJ e ícone nas festas de Americana/SP e região. Ela também ressalta a importante das pessoas Cis gênero usarem seu privilégio social para dar voz a causa Trans, pois só assim a causa avançará e as conquistas tão esperadas serão alcançadas.

A sociedade em geral precisa, com urgência, criar oportunidades de vida digna para nossa comunidade trans e travesti, ofertando empregos, dando amor verdadeiro com responsabilidade afetiva e, sobretudo, protegendo-as do ódio, do preconceito e da violência.A comunidade LGBTQIAP+ também precisa ter consciência que sempre foram as pessoas Trans e Travestis as que mais lutaram, sangraram e milhares até pagaram com a própria vida para termos os direitos que temos e principalmente o direito de ser feliz.

Dedico todo meu carinho, meu respeito, meu amor, meu orgulho e minha voz a vocês mulheres e homens TRANS.

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