O machão hétero de direita

Não é à toa que armas, fezes, família, religião, heteronormatividade e homossexualidade se misturam tão naturalmente nos discursos dessas pessoas. Dito isso, qualquer semelhança com um certo presidente da República, seus filhos e apoiadores pode não ser mera coincidência

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR)

O eleitor machão de direita é um neurótico que teme seus desejos reprimidos.

Escrevo para tentar fazer uma breve análise do típico machão heterossexual, mais especificamente o eleitor reacionário de direita defensor da família tradicional e dos bons costumes e suas fixações, sejam elas, digamos, anais ou fálicas. Vemos exemplos deles por  todos os lados,  posto que não faltam os que tenham uma verdadeira idolatria por armas de fogo, exibindo orgulhosamente esse símbolo fálico à primeira oportunidade, bem como os que se prestem a fiscalizar o sexo alheio, demonstrando um ódio extremo a tudo o que é diferente nesse campo, principalmente em relação ao universo LGBT. 

Para explicar o comportamento intolerante desse típico eleitor de Bolsonaro e da direita, é preciso nos voltarmos para a teoria freudiana no que diz respeito à bissexualidade inata do ser humano. Isso nada tem a ver com a bissexualidade no sentido de escolha objetal ou a relação sexual dos adultos. A bissexualidade inata é um fenômeno natural experimentado pela criança de mais ou menos 4 anos, em pleno transcurso do Complexo de Édipo (etapa da vida da qual ninguém escapa), quando o pequeno ser sexualiza os pais e experimenta sensações de prazer, nos carinhos dos seus cuidadores, sejam eles pai, mãe ou qualquer outra pessoa. Nessa época, a instância da cesura (o superego) ainda não se formou por completo, e  a criança é inocente, desprovida de pudor. Mais uma vez destaco: isso não tem nada a ver com a sexualidade do adulto!

Acontece, porém, que boa parte das nossas neuroses advém desse período e principalmente dos desejos reprimidos e mal resolvidos nessa fase. Uma peculiar neurose pode acometer alguns homens: o medo de assumir um papel passivo e feminino diante daquele pai grandioso e poderoso. A saber, o medo de não ser viril como o pai, o medo de ser a "mulherzinha" dessa relação. Medo esse que se dá no campo da fantasia infantil e que se transporta para a vida adulta de um homem neurótico que precisa, a todo momento, provar que é macho e potente.

Eis aqui a chave da questão! Mal resolvidos com seus desejos e fantasias infantis, esses machões reagem com violência a qualquer demonstração de afeto homossexual, além de,  a todo custo, terem de provar ao Mundo que são detentores de um potente falo.

E pra não dizer que eu não falei das fezes (perdoem-me pelo horroroso trocadilho!), uma das notáveis característica dos eleitores e eleitoras da direita reacionária é uma incontida raiva.  Elas são pessoas geralmente muito enfezadas (cheias de fezes), o que, junto com uma estrutura neurótica obsessiva,  é bem típico de pessoas com fixação na fase anal do desenvolvimento sexual.  

Não é à toa que armas, fezes, família, religião, heteronormatividade e homossexualidade se misturam tão naturalmente nos discursos dessas pessoas. Dito isso, qualquer semelhança com um certo presidente da República, seus filhos e apoiadores pode não ser mera coincidência.

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