O “mea culpa” de Silvia Pilz

Meu primeiro artigo publicado 247 foi uma resposta a um outro artigo, escrito pela Jornalista Silvia Pilzque, expôs o seu preconceito com relação as crianças portadoras de Síndrome de Down. "Eu devo desculpas aos pais e mães que se sentiram mal quando leram aquele texto", disse ela

O “mea culpa” de Silvia Pilz
O “mea culpa” de Silvia Pilz

O meu primeiro artigo publicado aqui no Brasil 247, foi uma resposta a um outro artigo, este, escrito pela Jornalista Silvia Pilz, em seu blog, “Zona de desconforto”,  no jornal O Globo. O texto de Silvia, fazia jus ao título do seu blog, tanto que o desconforto foi geral. Principalmente, porque ela expôs o seu preconceito com relação as crianças portadoras de Síndrome de Down.

A época, Silvia Pilz defendia suas idéias, se apresentando como uma escritora de humor cáustico e chamava de “idiotas”, aqueles que não compreendiam a estética de  sua linguagem. Quem não esteve a par dos fatos, basta procurar pelos textos: “O plano encobre” e “Preto no branco”, escritos por ela, e tirar as sua próprias conclusões. Não vou reeditar aqui o conteúdo dos textos e nem meter o dedo na ferida. Até porque, ela mesma já o fez em seu site.

Sob o título de “Mea Culpa”, Silvia deixou de lado a acidez e a ironia características de seus escritos e adotou um tom mais responsável e mais próximo da realidade. Da própria realidade. Num texto curto, porém, sintomático, ela pede perdão a todos que se sentiram ofendidos com as coisas que ela escrevia no passado. Vou deixar o texto completo, ao final deste artigo, a quem interessar possa. Recomendo a leitura e a compreensão.

Silvia Pilz sempre deixou claro em seus artigos, que não era hipócrita. E algo me, diz que o seu pedido de perdão, segue a mesma linha. O texto é recente. Data de 13 de agosto de 2018. Mais de três anos após a polêmica que ela causou. Não creio que alguém, que tenha levado três anos para se dar conta de que errou, esteja pedindo perdão da boca pra fora. E de forma pública.

Ao contrário do Youtuber Julio Cocciello, que ao perceber os patrocínios indo pelo ralo, por conta  das centenas de tuítes racistas e preconceituosos que ele vinha publicando há anos, logo no dia seguinte  protagonizou um vídeo patético e mais falso do que o seu próprio talento para fazer humor, no qual pedia desculpas da bunda pra fora, Silvia Pilz me parece estar sendo sincera. Não a conheço pessoalmente, mas, a julgar pela sua postura, meio arrogante e classista, na época de toda repercussão negativa em torno de seu nome, imagino que ela tenha passado por uma transformação “cáustica”, para chegar ao ponto de pedir perdão.

O seu sarcasmo, deu lugar ao bom senso característico e inerente às pessoas inteligentes, como ela é. Reconhecer o erro e pedir perdão, é nobre demais. Desde que o pedido de pedão esteja pontuado com sinceridade. Da mesma forma que percebi a sua intenção de causar e repudiei os seus textos naquele momento, enxergo no seu “mea culpa”, a intenção de melhorar como pessoa e a necessidade de se sentir perdoada. E por que não perdoá-la? Nesse mundo, só não precisa de perdão, quem não tem a dignidade de pedir.

Silvia abandonou o perfil de gênio imcompreendido, e assumiu-se como de fato deve ser. Ou, talvez, sempre tenha sido, mas não se permitia experimentar a proximidade de todas as pessoas e o calor humano que elas poderiam lhe proporcionar. Independente de suas diferenças físicas ou sociais. Hoje, ela pede a essas mesmas pessoas, que a perdoem, e o faz de forma digna. Sem vitimismo, sem máscaras, sem hipocrisia, sem patrocinar a postagem e sem culpar ninguém por ter cometido o seu deslize e pelas consequências decorrentes dele.

Poucos teriam essa postura, essa coragem e essa auto percepção do erro cometido.  Especialmente, em se tratando de uma integrante da classe média alta brasileira. Assim como escrevi um artigo, me contraponto à sua postura preconceituosa, me vi no dever de escrever outro, para trazer a luz o seu gesto honrado, digno e raro. Nada mais confortável, do que habitar a zona da realidade, com todos os desconfortos que ela possa nos causar. Peço a todos que compartilharam os seus textos, indignados e aborrecidos com as coisas que ela escreveu, que, se quiserem, também compartilhem o seu “mea culpa”. Seria tão digno quanto o seu pedido de perdão.  

Paz, Silvia!

mea-culpa

Silvia Pilz.

Eu sou jornalista e em 2015, eu trabalhava para O Globo.

Assinava um blog chamado Zona de Desconforto e publicava textos polêmicos que tratavam da vida em sociedade e suas contrariedades.

Os textos eram divertidos, sarcásticos, irônicos e_ muitas vezes_ arrogantes ou agressivos. Não cabe aqui dizer qual era a minha intenção.

Um blog com esse título já diz quase tudo. Causar desonforto não é prazeroso. Eu não tinha idéia do quanto.

Quando o texto Preto no Branco foi publicado, eu descobri.

Magoei ou machuquei muita gente. Por que? Porque eu disse que crianças com síndrome de Down nos causavam certa estranheza ou desconforto.

Eu não pensei nos pais e mães de crianças com Down.

Não imaginei e não me importei com o impacto que aquela frase teria para eles. Só pensei no quanto somos dissimulados diante do diferente.

O texto fala de outras coisas que eu não quero citar aqui. Estaria sendo hipócrita.

E isso _ honestamente _ eu não sou.

Eu devo desculpas aos pais e mães que se sentiram mal quando leram aquele texto.

E, depois de três anos remoendo esse assunto e me considerando uma vítima, por ter sido demitida pela publicação de um texto que eu, naquela época, achava que as pessoas não tinham entendido do jeito que eu queria que elas entendessem, descobri que é minha responsabilidade responder por tudo aquilo que eu publico.

Por causa desse texto, eu fui denunciada no Ministério Público Federal. E isso só serviu, na época, para que eu me sentisse ainda mais vitimizada. No papel patético do “Ninguém me entende!”.

Bom, se niguém me entende e as coisas chegaram a tal ponto, o erro foi meu e quem deve tentar_ um dia_ reconquistar essas pessoas sou eu.

Primeiro, as pessoas. Depois, talvez, os leitores.

Por favor, me perdoem. Me ajudem a me livrar desse passado.

Sinceramente,

Silvia Pilz

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