O menino do Rio 2

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Por Giselle Mathias 

Combinaram o encontro no sábado, pois a Socióloga chegara ao Rio na sexta à noite, e já havia um encontro marcado com amigas de outras cidades, que também iam ao Congresso no final de semana.

Na manhã do dia seguinte ela se dirigiu à Lapa, local onde se realizava o encontro. Enquanto ouvia as palestras iniciais, seu telefone tocou, algo que não acontece muito, pois ela disse que a maioria dos contatos só acontecem via mensagem. Viu que o Apolítico estava lhe ligando, e ela estranhou o fato, mas resolveu atender, algo que ela não costuma fazer, pois prefere a troca de mensagens, o contato é mais superficial, e prefere que seja assim, através da proteção da tela do celular.

No entanto, curiosa com o que ele queria, saiu da sala e atendeu o telefone. Um bom dia cordial, e ele dispara:

 “- Olha! 

 - Não é pela questão política. Mas, ontem à noite sai e conheci uma mulher, que mora aqui, e queria desmarcar o encontro com você.” 

A Socióloga diz que não entendeu nada, mas disse a ele que tudo bem. Mesmo, após ela ter dito que não havia problema, ele continuou dizendo que a questão não era política, e tentou estender a conversa, até sugerindo passar no local em que se realizava o Congresso, disse que ao menos queria vê-la pessoalmente. Mas ela muito segura, disse que era para ele ficar despreocupado, que só queria um encontro casual, e, realmente, se não iria acontecer, não havia necessidade de se encontrarem, estava tranquila.

Todas nós começamos a rir, pois era visível que ele não a encontrara pela questão política, porque ela era feminista e de esquerda, e ainda ficou insatisfeito porque não se importou com o fato dele ter desmarcado o encontro, mostrou isso ao tentar prolongar a conversa. 

No entanto, ela tem uma visão muito tranquila e particular ao lidar com o sexo. Entende suas vontades, separa com muita naturalidade seus desejos, dos sentimentos. Nos afirmou que prefere se relacionar quando está envolvida emocionalmente, mas não se priva dos prazeres da carne quando está só. Liberou-se do que me foi ensinado desde a infância, que as mulheres só se relacionam sexualmente se tiverem afeto, se estiverem apaixonadas, envolvidas emocionalmente.

Sinceramente, como eu a invejei!

Naquele momento pensei como seria bom ter essa liberdade, me desprender dessas amarras, só gostar do momento e não esperar nada, mas como fazer isso tendo sido tão padronizada nos conceitos de “mulheres fáceis” e “mulheres difíceis”, de continuar a entender que só um homem ao meu lado pode me valorar socialmente. A postura dela me pareceu arriscada demais, e isso me incomodou.

Quando disse a ela meu incomodo, ela me sugeriu que eu fizesse uma sessão de massagem tântrica, pois foi nesse momento que se libertou.

Como assim? Dissemos todas.

Ela gargalhou, e nos contou que uns anos antes fora aconselhada por uma amiga a experimentar a tal da massagem tântrica, e de início ela rejeitou. Achou que não conseguiria ficar nua na frente de um homem que ela nunca vira, e com o qual não possuía nenhum tipo de sentimento. Obviamente, não era como ir ao ginecologista, inclusive, porque sempre escolhia profissionais mulheres para não passar por algo que lhe constrangia. Ficar nua na frente de um desconhecido.

Achamos estranha a fala dela, porque já a conhecíamos, e toda a sua liberdade. Ela nos conta que sempre foi muito reprimida por seus pais, e mal se tocava, desconhecia seu corpo e por muito tempo se sujeitou ao que lhe era apresentado por seus namorados, e seu prazer sempre estava vinculado ao deles.

Arrasada com o término de uma relação, que somente mais tarde entendera que fora tóxica, decidiu fazer a tal da massagem, e ali ela se libertou.

Disse que foi muito constrangedor no começo, não sabia o que fazer e, simplesmente, fechou os olhos e deixou tudo nas mãos do massagista.

Duas horas em que suas travas e sua mente foram se liberando por completo, no início sentia-se muito constrangida, mas no decorrer daquela sessão não controlou mais as sensações, e percebera que o prazer e o gozo não aconteciam em razão dos afetos, mas era uma sensação corpórea e deliciosa, e ela poderia senti-la sem nenhum apego emocional.

LIVRE!

Era assim que ela passou a se sentir, ninguém mais a prenderia, isso só seria possível se a conexão fosse muito além, a sintonia precisaria ser de respeito mútuo, parceria, construção e equivalência. Não admitiria menos que isso, e não acreditava nas inúmeras tentativas de manipulações emocionais. Jamais será encarcerada.

Mas a vida nos reserva boas surpresas, e nessa viagem da Socióloga ela lhe dera uma

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