O milagre da esquerda na AL

No dia 27 de outubro a América do Sul terá a oportunidade de começar de fato a mudar o panorama político continental. Nesse dia o povo uruguaio irá às urnas em primeiro turno das eleições presidenciais; na Argentina a população sairá para eleger seu presidente

Presidenciável argentino Alberto Fernández e sua vice, Cristina Kirchner.
Presidenciável argentino Alberto Fernández e sua vice, Cristina Kirchner. (Foto: Alberto Fernández e Cristina Kirchner)

No dia 27 de outubro a América do Sul terá a oportunidade de começar de fato a mudar o panorama político continental. Nesse dia o povo uruguaio irá às urnas em primeiro turno das eleições presidenciais; na Argentina a população sairá para eleger seu presidente. No Uruguai, para vencer, o candidato precisa de 50% dos votos mais um. Pesquisa de intenção de voto mostra que, no primeiro turno, o candidato da Frente Ampla, Daniel Martínez, tem 29% das intenções de voto. Luis Lacalle Pou, do direitista Partido Nacional, tem 24%, e Ernesto Talvi, do Partido Colorado, de centro-direita, 15%.

Avanços obtidos ao longo dos últimos 15 anos de governo da Frente Ampla começaram a ser revertidos recentemente. É o caso da pobreza, que caiu de 37,5% da população, em 2004, para 7,9% em 2017, mas voltou a subir no ano passado, para 8,1%. O desemprego, que também vinha caindo, subiu no segundo trimestre para 8,4% — o maior nível em uma década. Economista do Centro de Estudos da Realidade Econômica e Social (Ceres), Guillermo Tolosa, avalia que “Há uma percepção geral de uma falta de ação por parte do governo, de responder com pacotes e reformas para tentar evitar essa situação e dinamizar a atividade”, O investimento privado está fraco desde 2015.

Na área de segurança pública, o Uruguay teve em 2018 um dos anos mais violentos da história recente. O número de assassinatos subiu 45,8% ante 2017, elevando a taxa de homicídios para 11,8 por 100 mil habitantes. A taxa é inferior a do Brasil (30,8), mas superior a de Chile (3,6) e Argentina (5,2). O aumento, segundo analistas, tem relação com a descriminalização da maconha, que tirou uma fonte de renda importante de grupos narcotraficantes, que agora disputam o controle de territórios e da venda de drogas como cocaína.

Na Argentina a tendência é que a população diga NÃO ao neoliberalismo e conduza a chapa peronista Alberto Fernández e Cristina Kirchner, ao poder. Ao jornal argentino ‘Página 12’, o ex-presidente Lula disse que:  "O ódio a mim é como o ódio aos Kirchner aí".  Quando assumiu a Presidência argentina, em dezembro de 2015, Mauricio Macri fez pelo menos três promessas que não conseguiu cumprir: Pobreza zero, inflação estável e investimentos externos. A pobreza aumentou, a inflação disparou e os investimentos se deu somente em setores específicos.

Após 15 anos no governo a Coligação Frente Ampla vai passar por uma eleição difícil. Particularmente acompanho com interesse as eleições pois visitei o Uruguay em duas oportunidades, uma no governo de Pepe Mujica, e a impressão que tive foi de um país que vivia em paz política, social e econômica. Sem recursos minerais, o Uruguay soube explorar a soja e o gado, atingindo estabilidade governamental.

Percorrendo a cidade conhecemos a sede antiga da presidência, um prédio que no governo de Venâncio Flores passou a ser sede do executivo. O prédio histórico hoje é um museu, na mesma linha do palácio do Catete, que guarda mobílias, pertences, fotografias e tudo o que se manteve daquela época, infelizmente não se pode fotografar, mas vale muito a pena conhecer, vimos coisas lindas. Lá está a carruagem, em madeira, que levou Maldonado para sua última diligência. A enorme diferença desse museu para o Catete, é que a nova sede, que foi construída em 1985, está ao lado da antiga, separadas por duas ruas, aqui o Catete foi para o centro do país para garantir distância do povo. (Trecho de “Sendo Gentil na Juan D. Jackson”), crônica que escrevi quando visitei pela primeira vez o Uruguay.

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