O mito do anel de Giges, a grande mídia, a hipocrisia e os canalhas corruptos que usurparam o poder

E assim, graças ao anel de Giges, ou seja, graças à cumplicidade abjeta de uma mídia canalha com políticos velhacos, experimentamos, além da nossa ruína moral, a ruína política, econômica e cultural, o opróbrio

Rede golpe de televisão
Rede golpe de televisão (Foto: Lula Miranda)

Diz-se que Platão ilustrava suas palestras contando a história de Giges, o bom e honesto pastor, que encontrou numa fenda na terra, nos dedos de um cadáver, um anel de ouro que o tornava invisível. De posse desse anel, e então invisível, Giges deixou de ser o homem bom e honesto, que sempre fora, e transformou-se num homem vil, num canalha. E assim conheceu o poder.

Você deve se lembrar, já no âmbito da cultura pop ou de massa, essa mesma alegoria do anel, que propicia a invisibilidade e o poder, foi utilizada, nos dias que correm, num filme de bastante sucesso, "O Senhor dos Anéis", por intermédio de seu personagem Gollum ou Sméagol.

Aqui, na nossa precária parábola da vida real, "pastores" como Giges seriam, por exemplo, os políticos em Brasília. Indivíduos como Temer, Padilha, Moreira Franco ,Jucá, Serraglio, Geddel et caterva.

A "invisibilidade" seria a mais perfeita tradução e/ou representação da inimputabilidade - que, por sua vez, leva à sensação e à certeza da impunidade.

Esta "invisibilidade", por sua vez, é garantida ou assegurada pela hipocrisia da nossa classe média e pela grande mídia brasileira que (re)estabelece - com a "magia" de suas doses cotidianas de mentiras - a esses "Giges" da nossa política a moral que há muito perderam.

Transformam então homens vis em vestais; bandidos em heróis; amorais em moralistas; verdugos em juízes.

E assim, graças ao anel de Giges, ou seja, graças à cumplicidade abjeta de uma mídia canalha com políticos velhacos, experimentamos, além da nossa ruína moral, a ruína política, econômica e cultural, o opróbrio.

Assim, hoje, canalhas usurpam o poder e governam, "na moral", sob o beneplácito e cumplicidade de outros tantos canalhas, aboletados (e muito bem remunerados) na Globo, no SBT, na Veja, na Isto É, no "Estadão" e demais comparsas dessa malta infame.

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