O motoqueiro fantasma sumiu!

Ao se ausentar da motociata de Brasília, Bolsonaro preferiu não arriscar perder aquela que é a sua principal vitrine de “popularidade”

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(Foto: Amanda Perobelli/Reuters)


O fato político mais relevante da semana passou batido diante do olhar da imprensa dita... profissional. Estou me referindo à ausência de Jair Bolsonaro na tradicional motociata que encerra as atividades do Brasília Moto Week, evento que, nos áureos tempos do presidente Lula, chegou a reunir mais de 250 mil motociclistas do Brasil e do exterior.   

Os organizadores dizem que bateram o recorde neste ano, com mais de 380 mil veículos de duas rodas, mas meus amigos, que participam há várias edições, desmentem. 

O fato é que o imprudente, que dá mal exemplo à juventude pilotando sem capacete, chegou a ir na entrada da Granja do Torto, escondido num carro com vidros escuros, para avaliar se o clima era favorável à sua participação numa motociata que não foi organizada – e financiada – por sua patota. 

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Deve ter ouvido o que não queria: “chefe, tem muita gente que te apoia, mas também tem um montão pra te vaiar”. 

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Bolsonaro preferiu não arriscar perder aquela que é a sua principal vitrine de “popularidade”, e que agora sabemos ser tão fake quanto qualquer outra coisa que tenha feito ao longo de sua trajetória política.  

Ora, ser vaiado numa motociata seria a decretação de sua falência eleitoral a esta altura do campeonato. Uma coisa é você juntar um bando de policiais aposentados, militares com tempo de sobra para passear de moto, com soldo garantido no final do mês, e uns sujeitos esquisitos fantasiados de malvadões, tão preconceituosos quanto o líder dos “gados do asfalto”, em encontros que já custaram mais de R$ 5 milhões aos cofres públicos.

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 Na motociata de Brasília estavam entregadores por aplicativo, trabalhadores que sentem no bolso o preço da gasolina, professores, profissionais liberais massacrados pela política econômica do governo, gente que apoia o Lula, o Ciro, a Simone, ou seja, os roncos dos motores seriam abafados pelo apupo de milhares de motociclistas, com o coro engrossado pelos populares presentes nas calçadas. 

Como motociclista há mais de 40 anos, sempre desconfiei deste movimento pró-Bolsonaro, que nega princípios gratos à categoria, como o respeito, a fraternidade, a igualdade e a solidariedade. 

Nenhum desses valores está no DNA moral de Bolsonaro. Desse modo, é fácil concluir que seus seguidores também não carregam dentro de si a natureza do espírito livre proporcionado pela moto, estando acorrentados pelo ódio e o preconceito que os acompanham a cada quilômetro rodado. 

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Ao se acovardar, e não enfrentar possíveis animosidades na motociata de Brasília, Bolsonaro emite seu maior sinal de tibieza política, praticamente jogando a toalha e assumindo sua derrota no primeiro turno. A partir de agora, qualquer passeio que fizer com seus “Gados do Asfalto Motoclube” será apenas uma caricatura histriônica.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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