O nascimento de um novo líder

"Depois de mostrar firmeza para encarar Jair Bolsonaro num duelo moral sobre o desaparecimento de seu pai, o desempenho de Felipe Santa Cruz no Roda Viva mostrou que é capaz de dizer a coisa certa na hora certa", escreve Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia.

O lugar comum diz que uma nova liderança é a pessoa certa na hora certa. 

Em entrevista ao Roda Viva, nesta segunda feira, Felipe Santa Cruz mostrou que reúne todas as condições para ter um papel relevante nas lutas democráticas que aguardam a sociedade brasileira no próximo período. 

Sabemos como este capítulo da história começou. A condição de filho de um desaparecido político colocou Felipe Santa Cruz no caminho de Jair Bolsonaro, que na primeira oportunidade tentou produzir uma cena humilhante, torpe, vil. 

Atraído involuntariamente para um duelo moral,  Santa Cruz silenciou o oponente com a lucidez de quem não tem nada a temer e carrega verdades tão evidentes que nem precisa elevar a voz para ser ouvido. Bastaram-lhe fatos e argumentos. 

Já que o presidente da República disse que sabia a verdade sobre um pai desaparecido em 1974 nos porões da ditadura, Santa Cruz pediu que a revelasse. Simples e direto. 

Desde então os 210 milhões de brasileiros e brasileiras aguardam pelo dia em que Jair Bolsonaro terá coragem de revelar  um dos mais terríveis segredos da ditadura, que matou Fernando  Santa Cruz e ocultou seu corpo por quase meio século, enchendo de tristeza vida da mãe, dona Elzita, avó de Felipe, que viveu 105 anos e nunca perdeu a esperança de receber ao menos uma informação verdadeira sobre o filho executado. 

Dizem até que o corpo de Fernando foi incinerado, mas nem todos na família acreditam nisso. Acham que pode ser mais um despiste, só para aumentar um sofrimento que nunca terá fim mas ao menos poderá ser um pouco aliviado no dia em que surgir alguém com dignidade para revelar fatos comprovadamente verdadeiros.   

 Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, OAB, a mais legítima das entidades da luta democrática,  que recentemente andou omissa demais,  Felipe Santa Cruz já mostrou que tem senso das coisas, a começar do momento que o país atravessa. 

Convocado a enfrentar uma bem treinada matilha de repórteres, disposta a exibir uma hostilidade agressiva sem perder as boas maneiras, não pronunciou uma frase fora de contexto, nenhuma palavra fora do tom. Mostrou lucidez e firmeza nas respostas, nas réplicas e tréplicas, exibindo a razão de quem não teme a verdade e há muito tempo entendeu a importância de luta por ela, apenas ela. 

Alguma dúvida? 

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