O necessário combate aos golpistas do PSDB

O Brasil não se tornará uma nação efetivamente democrática, soberana e justa se não houver clareza de quem são os verdadeiros inimigos a derrotar

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O Brasil não se tornará uma nação efetivamente democrática, soberana e justa se não houver clareza de quem são os verdadeiros inimigos a derrotar (Foto: José Reinaldo Carvalho)


As manobras golpistas da oposição neoliberal e conservadora, encabeçada pelo PSDB de FHC, Aécio, Serra et caterva, com o indeclinável apoio da mídia monopolista privada, continuam no centro da conjuntura política nacional. A ordem do dia do comando oposicionista é encurralar a presidenta Dilma Rousseff, gerar instabilidade política, semear clima de ingovernabilidade, criminalizar o Partido dos Trabalhadores e as organizações do movimento sindical, estudantil e popular. O roteiro prevê o impeachment ou qualquer outra forma de afastamento da mandatária do poder.

Para isso, o PSDB e os seus aliados calculam contar com a Câmara dos Deputados, valendo-se do resultado da eleição para a Mesa dessa casa legislativa, que supostamente tem em suas mãos o poder de definir a agenda política nacional.

Conjuga-se o nauseante uso político da Operação Lava Jato com a fabricação de Comissões Parlamentares de Inquérito que, sem nada a acrescentar às investigações conduzidas por instituições policiais e judiciárias, são feitas por encomenda para turvar ainda mais o ambiente político. Agrega-se a isso uma campanha sistemática pelo desmonte e a privatização da Petrobras.

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Compõe o quadro o atropelo na tramitação da Reforma Política, ignorando a discussão acumulada na sociedade, e o clamor nacional para que essa reforma democratize de fato a vida política, o que só será possível se for tomada como ponto de partida a eliminação da influência do poder econômico nas eleições. Porém, as medidas que estão sendo urdidas na Câmara mantêm intocado o financiamento empresarial das campanhas eleitorais e introduzem mudanças condenáveis do ponto de vista democrático, como a cláusula de barreira, a proibição de coligações proporcionais e o chamado distritão, desprezando as listas partidárias.

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Em face das ameaças que pesam sobre o país, o ato comemorativo do 35º aniversário de fundação do PT, realizado na última sexta-feira (6), em Belo Horizonte, foi um bom ponto de partida para a retomada da iniciativa por parte das forças progressistas e de esquerda. Resistir e lutar, rechaçar as manobras golpistas, enfrentar os grandes desafios nacionais são as mensagens essenciais que se pode depreender dos pronunciamentos da presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula. "O voto popular deu legitimidade para continuarmos as mudanças" (...) "Diante da crise, sempre tivemos força para reagir. Os que estão inconformados com o resultado das urnas só têm medo da participação popular, têm medo da democracia. Mas temos força para resistir ao golpismo e ao retrocesso" – afirmou a mandatária, numa demonstração de serenidade, firmeza e energia, para o desencanto dos que a julgam muda, paralisada, isolada e antecipadamente batida.

Num quadro em que a força política dirigente da coalizão que governa o país há 12 anos está no alvo de brutal ofensiva, diante de erros cometidos e das pressões para adotar um rumo contrário aos interesses nacionais e populares, têm peso especial as autocríticas e advertências feitas por Lula, como líder maior do partido, o apelo por uma mudança de conduta e atitudes, assim como a reafirmação do caráter essencial dos compromissos com que o PT foi guindado pelo povo ao poder: "Jamais traímos o compromisso com as camadas mais pobres da população", afirmou.

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Para retomar a iniciativa, organizar a resistência e a luta, mais do que nunca o país necessita da unidade das forças democráticas e progressistas e da mobilização popular, estruturar a base de sustentação do governo Dilma no Congresso Nacional, tomar medidas econômicas indutoras do crescimento, garantindo a continuidade da geração de emprego e renda, assegurando os direitos sociais, trabalhistas e previdenciários.

Nessa perspectiva de resistência e luta, soam esdrúxulos, estapafúrdios mesmo, os apelos à conciliação entre o PT e o PSDB, a partir de conversações entre os ex-presidentes Lula e FHC. Se for apenas ingenuidade, manifestação de otimismo beato à moda do Dr. Pangloss, menos mal, mas se a proposta se baseia na consideração de que ambos os partidos são forças complementares, e não antagônicas, estaremos diante de perigosa manifestação de oportunismo, funcional aos interesses dos golpistas.

Mesmo que bem intencionada, a sugestão de uma conciliação entre o governo e a oposição parte de uma avaliação falsa sobre o que foi o governo de FHC e o caráter do PSDB e seu programa para o país. O governo de FHC não desempenhou papel positivo na evolução econômica e política do país, como pretendem os defensores da tese da conciliação. A solução dos graves problemas nacionais não radica no aproveitamento do "bom legado" daquele governo, que se agregaria ao de Lula e do primeiro mandato da presidenta Dilma.

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Não foi por mera retórica que a esquerda cunhou a expressão "herança maldita", mas porque de fato, durante dois mandatos o ex-presidente e seu partido levaram a efeito em toda a linha uma política ruinosa aos interesses nacionais e populares.

Foi uma era de estagnação econômica, bancarrota financeira, depreciação real dos salários, desemprego recorde e endividamento ao nível da insolvência. Tudo isso como resultado do neoliberalismo à outrance, que produziu resultados devastadores não só no Brasil, como nos demais países latino-americanos onde o decálogo do Consenso de Washington foi aplicado à risca. No plano diplomático, FHC atrelou o Brasil aos EUA e à União Europeia. E na política, as tendências antidemocráticas foram manifestas, a tal ponto que o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello designou o governo do sociólogo da Sorbonne de "ditadura dos punhos de renda". Foi também o governo dos escândalos de corrupção, a despeito dos engavetadores de plantão.

O governo de FHC alienou na bacia das almas o patrimônio nacional, com as privatizações de estatais a troco de moeda podre, de selvagem abertura da economia e desregulação financeira, jogando todas as fichas no cassino do fluxo maciço de capital especulativo externo.

Quanto ao PSDB como agremiação político-partidária, os fatos da conjuntura estão aí a desmentir a tese de que a polarização com esta força é artificial e está circunscrita às fronteiras do estado de São Paulo.

O enfrentamento eficaz dos grandes desafios nacionais exige resistir e lutar ao golpismo do PSDB e às pressões conservadoras e neoliberais de que esse partido é instrumento e porta-voz, e avançar na realização das reformas e mudanças estruturais democráticas. O Brasil não se tornará uma nação efetivamente democrática, soberana e justa se não houver clareza de quem são os verdadeiros inimigos a derrotar.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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