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Eduardo Guimarães

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O novo ovo da serpente

Radicalismo, de esquerda ou direita, jamais produziu nada no Brasil além de postergar por décadas o golpe de 1964

Homem segura bandeira brasileira durante bloqueio na BR-251 em Planaltina 31/10/2022 (Foto: REUTERS/Diego Vara)

 Ao longo dos governos Temer e Bolsonaro, o Brasil não teve reedição dos protestos de 2013, o que teria permitido ao país se livrar de  Bolsonaro. Agora, porém, lideranças de esquerda querem ver o "povo na rua" -- e sob Lula, o que seria, basicamente, o enterro da democracia brasileira. 

Rapidamente, a extrema-direita sequestraria essas manifestações e seria criada a narrativa de que é uma revolta contra um hipotético "estelionato eleitoral" de mais um petista -- "estelionato eleitoral" foi a desculpa oficiosa para derrubar Dilma.

Se esses setores da esquerda não tiverem juízo desta vez, não teremos mais manifestações de esquerda por, talvez, algumas décadas, pois o que virá suplantará exponencialmente o que se viu entre 2016 e 2022. 

Sem falar no 8 de janeiro de 2023...

Apoio os movimentos de mulheres, de sem-terra, de sem-teto, a presença do Estado na economia, a luta histórica e interminável contra o racismo e o machismo, o direito e o respeito à orientação sexual de cada um, a necessidade imperiosa  de distribuição de renda, a taxação das fortunas e, se fosse possível, uma revolução socialista, pois o capitalismo é um zumbi que segue destruindo a humanidade. 

O diálogo e a liberdade de expressão constituem direitos fundamentais de qualquer cidadadão, seja de direita ou de esquerda. Calar a divergência nunca funcionou. Radicalismo, de esquerda ou direita, jamais produziu nada no Brasil além de postergar por décadas o golpe de 1964.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.