O 'olavismo' acima de todos

Baseado num conjunto de fake news, tais como “o nazismo era de esquerda” ou “educação sexual na escola é putaria”, “o Foro de São Paulo quer a América Latina vermelha”, o “olavismo”, por meio de seu criador, o ex-astrólogo Olavo de Carvalho chegou ao poder mais alto da República

O 'olavismo' acima de todos
O 'olavismo' acima de todos

Nas aulas de Filosofia do primeiro ano Clássico – havia o Clássico e o Científico - eu e minha turma que sentávamos nos fundos da classe e não estávamos nem aí com as correntes filosóficas que a professora nos ensinava inventamos, de sarro, a nossa própria, que chamamos de “cimentismo”.

Não me lembro dos fundamentos e características afora o fato de estar assentado em coisas concretas, como o cimento. Passamos um bom tempo rindo da filosofia e de nós mesmos graças a essa brincadeira.

Quando li pela primeira vez a respeito de “olavismo”, associei imediatamente ao “cimentismo”. Só se sustenta como piada. Só que o “olavismo” foi – e está sendo – levado a sério por milhares de brasileiros e até pelo presidente da República eleito.

Baseado num conjunto de fake news, tais como “o nazismo era de esquerda” ou “educação sexual na escola é putaria”, “o Foro de São Paulo quer a América Latina vermelha”, o “olavismo”, por meio de seu criador, o ex-astrólogo Olavo de Carvalho chegou ao poder mais alto da República.

Emplacou dois ministros da Idade da Pedra – na Educação e nas Relações Exteriores - e se prepara para exercer um papel importante no futuro governo.

O que me parece é que esse governo terá, além dos ministérios formais, um “núcleo ideológico” clandestino, composto, além de Carvalho, por Steve Bannon e os três filhos do presidente eleito.

As suas tarefas principais – imagino – serão demonizar as esquerdas e a oposição em geral com os mesmos meios espúrios e fraudulentos utilizados durante a campanha e criar uma espécie de D.I.P. – o Departamento de Imprensa e Propaganda do Estado Novo, inspirado no Ministério de Propaganda de Hitler, que instalou a censura nas artes e na imprensa e fomentou o culto à personalidade de Getúlio.

O “núcleo ideológico” terá tanto peso quanto os Ministério do Posto Ipiranga (Paulo Guedes) e da Lava Jato (Sérgio Moro). Não são exatamente ministérios, mas feudos montados para seus senhores feudais on demand. Se eles caírem fora, os ministérios também se esfacelam.

O outro centro importante de poder será o “núcleo militar”, liderado pelos generais da reserva Augusto Heleno (GSI) e Hamilton Mourão (vice). Heleno vai herdar o arquivo do SNI com a lista das principais lideranças de esquerda do país.

E, acima de todos, o “olavismo”.    

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