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Michel Zaidan

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O olhar do cinema

O olhar nostálgico sobre a decadência do centro e dos cinemas de rua é um olhar sobre nós mesmos, nossas perdas, nossa mudança, nossa pobreza cultural

Cinema São Luiz, em Recife (Foto: Rebeca Martins/Brasil de Fato)
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Sempre fui um cinéfilo  inveterado, desde criança, quando assisti as sessões do Cine Jardim e Glória,  à tarde e à noite. Estimulado pelas revistas em quadrinhos e radionovelas, a minha percepção foi sendo forjada por esses meios até chegar no cinema. A tela grande influenciou profundamente  a minha geração, sobre todos os pontos de vista e foi a complementação natural da minha formação  acadêmica, numa era de muito romantismo e sonhos de mudança da vida. 

Dramas, aventuras, suspense, terror, filmes psicológicos ou ligados a família, enfim, tudo, mas tive professores de cinema que me ajudaram a ver criticamente os filmes. Cito dois -   Roberto Figurelli, de estética, e Celso Marconi. A partir daí comecei ver as escolas, os estilos e movimentos e procurar as obras de diretores não de atores, o cinema de autor. Aprendi muito com estes filmes. 

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Os filmes do neorrealismo italiano, os franceses da Nouvelle Vague, o neo-expressionismo alemão, o cinema político americano, as obras de Luís Bunuel e Carlos Saura. Três filmes me marcaram muito -   CINEMA PARADISO;  A ÚLTIMA SESSÃO DE CINEMA E NÓS QUE NOS AMÁVAMOS TANTO. Não falam da experiência  scopica e da história  do cinema. O cinema político mudou a nossa visão de mundo e nos libertou da prisão miúda do nosso cotidiano  e nos fez viajar pelo  universo. Filmes filosóficos, como 2001, O SÉTIMO SELO e outros abriram a minha cabeça. Reflexões como os filmes de Antonioni e Sam Peckinpah descortinaram uma realidade  difícil  de enxergar a olho nu,. 

A visão nostálgica e saudosa dos cinemas e filmes têm sua razão de ser. Fazem parte da nossa vida e de nossos valores. É um pedaço  que se perde ou se vai. As salas de exibição são espaços de sociabilidade e lazer e aprendizagem sem iguais, que a televisão  e o vídeo não substituem.  Aqui, vale a tese da recepção coletiva da obra de arte, no escurinho do cinema. Ela não pode ser trocada pela experiência  doméstica  e solitária  das exibições.  

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Neste ponto, a obra de Walter Benjamin é muito elucidativa. Por tudo isso, louvo e compreendo  a importância  do filme RETRATOS FANTASMAS. O olhar nostálgico sobre a decadência do centro e dos cinemas de rua é um olhar sobre nós mesmos, nossas perdas, nossa mudança, nossa pobreza  cultural.. Isso também vale para os teatros e as livrarias  também.

PS. Em alguns  livros, analisamos algumas películas, Blow Up! 2001, Tempos modernos. 

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