O ovo da serpente eclodiu

A violência armada e explícita assestada contra os que resistem ao golpeachment (Golpe de Estado travestido de Impeachment Constitucional) era inevitável. Por quê? Porque ela é o efeito lógico da quebra da ordem constitucional até então vigente e que inaugurou (nos termos de Agamben) um 'Estado de Exceção'

A violência armada e explícita assestada contra os que resistem ao golpeachment (Golpe de Estado travestido de Impeachment Constitucional) era inevitável. Por quê? Porque ela é o efeito lógico da quebra da ordem constitucional até então vigente e que inaugurou (nos termos de Agamben) um 'Estado de Exceção'
A violência armada e explícita assestada contra os que resistem ao golpeachment (Golpe de Estado travestido de Impeachment Constitucional) era inevitável. Por quê? Porque ela é o efeito lógico da quebra da ordem constitucional até então vigente e que inaugurou (nos termos de Agamben) um 'Estado de Exceção' (Foto: José Marcus de Castro Mattos)

A violência armada e explícita assestada contra os que resistem ao GOLPEACHMENT (Golpe de Estado travestido de Impeachment Constitucional) era inevitável.

Por quê?

Porque ela é o efeito lógico da quebra da ordem constitucional até então vigente e que inaugurou (nos termos de Agamben) um 'Estado de Exceção'.

– No atual caso brasileiro, quebrou-se o Estado Democrático de Direito instituído pela Constituição Federal/\1988: a Democracia Esclarecida, a Cidadania Inclusiva e a Soberania Popular soçobraram juntas e a um só tempo.

Em tal contexto brutalmente político a 'força da lei' transmuda-se em 'lei da força', a saber, nele não há mais 'representantes da lei' mas apenas e tão-somente 'lei dos representantes de si mesmos' (ou pior: 'lei dos representantes de seus próprios interesses').

Aqueles que obstaculizam essa 'lei', pois bem, deverão ser eliminados – fisicamente eliminados –.

Os exemplos da eliminação direta e/ou indireta se sucedem rapidamente: o assassinato da vereadora MARIELLE FRANCO (14/03/18), os tiros na caravana do presidente LULA (27/03/18), a prisão do presidente LULA (07/04/18), os tiros no 'Acampamento Marisa Letícia' (28/04/18), etc.

Atentemos para o seguinte: – No Estado de Exceção a força da lei está inteiramente contaminada pelo 'lawfare', o qual instaura a 'lei em movimento' – a lei adaptada às circunstâncias – e retira de cena a confiança na imparcialidade dos dispositivos jurídicos, subsumindo-os 'in totum' aos interesses políticos e ideológicos dominantes.

Especificamente, onde quer que emerja o Estado de Exceção perverte a Carta Magna, ou seja, neutraliza suas cláusulas pétreas e desmente o histórico de suas decisões, 'flexibilizando' a jurisdição em vigor a ponto de criar e inserir nela – com peso decisório, frise-se – conceptualizações inusuais (no atual caso brasileiro: 'domínio do fato', 'pedaladas fiscais a título de crime de responsabilidade presidencial', 'ato de ofício indeterminado', etc).

Entretanto, a extensão do 'lawfare' não diz respeito apenas ao uso pervertido da legislação para consumar perseguições políticas mas também à não-penalização de atos clara e francamente criminosos, desde que tais atos pertençam ao conjunto de motivações que instaurou o Estado de Exceção e favoreçam de um modo ou de outro seus executores.

Assim, quaisquer dos crimes cometidos pelos que detém o poder econômico, político, cultural e ideológico serão transpostos para uma plataforma jurídico-penal a qual nem procurará elucidá-los nem os lerá como atos infracionários, protegendo-se descaradamente os salteadores e mantendo às escuras suas maquinações ilegais.

Com efeito, em consonância com sua origem criminosa (quebra da ordem constitucional em vigor, etc), o Estado de Exceção autoriza os crimes daqueles que o erigiram e o mantém como tal, nada mais nada menos.

Neste âmbito aberta e perversamente criminoso, as passagens ao ato eliminativas de opositores se sucedem aos borbotões e incontroláveis, colocando em risco a sustentabilidade afetiva e simbólica do conjunto de associados sob os epítetos 'nação' e 'país'.

Evidentemente, o Estado de Exceção – propugnador do 'lawfare' – vale-se das corporações midiáticas hegemônicas para que estas produzam a discursividade (a 'narrativa', se preferirem) na e pela qual a férrea dominação econômica, política, cultural e ideológica não apareça como tal, legitimando-se ato contínuo junto à massa populacional.

– No atual caso brasileiro, a 'servidão voluntária' à dominação capitalista é diuturnamente promovida pelo 'Partido da Imprensa Golpista (PIG)', o qual é capitaneado pelas Organizações Globo, acumpliciadas, costumeiramente, ao 'Estadão', à Folha de São Paulo, à Veja, à Isto É, etc.

Ora, posto que a quebra da ordem constitucional enceta inevitavelmente a lei da força, a ruptura do laço social sob os cognomes nação e país torna-se iminente, empuxando tudo e todos para uma 'no man's land' que em brevíssimo tempo tornar-se-á o campo mortífero da guerra civil.

Naturalmente, nos países devastados pelo Estado de Exceção – a rigor, haveria sequer um país capitalista que não fizesse exceção ao Estado Democrático de Direito? –, pois bem, nestes países as classes dominantes criam contrafortes à guerra civil, no melhor dos casos através da produção do 'consenso' (oferta-se aos associados dispositivos supostamente democráticos, etc) e no pior dos casos através do 'clamor à ordem' (ditadura militar, milícias armadas, etc).

Pois bem, o GOLPEACHMENT (Golpe de Estado travestido de Impeachment Constitucional) tem procurado até o presente legitimar-se e/ou naturalizar-se através da promessa de que haverá eleição presidencial em Outubro/18, não sem antes, obviamente, fraudar o espaço político de sorte a garantir 'a priori' a eleição de candidaturas que representem e pratiquem efetivamente o ideário econômico, político, cultural e ideológico dos que quebraram o regime constitucional anterior – quais sejam, pelo ordenamento golpista: o Departamento de Estado dos Estados Unidos (NSA, CIA, etc), o Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria Geral da República (PGR), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Polícia Federal (PF), a Câmara Federal e o Senado (PSDB/\FHC à frente), a Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), o 'Agronegócio', o 'Partido da Imprensa Golpista (PIG, Organizações Globo à frente)', etc -.

Como se sabe, a fraudação maior do espaço político consistiu no indiciamento, julgamento e prisão criminosos do Presidente LUIZ INÁCIO 'LULA' DA SILVA, impedindo-o de candidatar-se à eleição presidencial de Outubro/18, e, assim, manter em mãos dos golpistas o comando do agendamento eleitoral e sua conclusão sem riscos de reviravolta.

Todas as fichas políticas dos fraudadores estão portanto alocadas na 'higienização eleitoral' deflagrada por eles mesmos, de modo que apenas candidatos alinhados com o Estado de Exceção (ou aqueles com reais chances de vencer nas urnas) venham a concorrer em Outubro/18, legitimando-se e/ou naturalizando-se, por consequência, em eleição presidencial ao fim e ao cabo farsesca, a subsunção final do país e da nação brasileiros à bandalheira casabranquense associada à bandidagem casagrandense.

Conseguirão eles a legitimação/\naturalização do crime, e, pois, a exclusão da guerra civil?

Talvez...

Certo é que a lógica interna ao GOLPEACHMENT (Golpe de Estado travestido de Impeachment Constitucional) já lançou o país às portas da barbárie (assassinatos, ataques, etc), pouco faltando para que o sangue dos brasileiros escorra pelas calçadas...

(De fato, o ovo da serpente eclodiu e Bolsonaro e seu Exército de Orcs são a ponta de lança da selvageria intrínseca à mentalidade dos que se alçam como senhores do mundo.)

Inacreditável a miopia política daqueles que encapsulo na expressão 'elite branca bra(z)ileira': supondo-se desde e para sempre protegidos pela manipulação de tudo e todos ('lawfare, post-truth, fakenews', etc), entregam-se de joelhos dobrados, mãos atadas e olhos vendados à colonização estadunidense, tudo se passando como se sua perversão e deboche fossem também a da maioria de nossa população.

Enganam-se.

Em breve saberemos se o crime os compensará (derrubada do Estado Democrático de Direito, eleições fraudadas pela ausência de Lula, etc), ou se o sangue derramado pela heroica nação brasileira (povo majoritariamente negro, ascendência indígena, etc) os enviará para serem sepultados em Miami.

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