O papel de Minas na construção da unidade nacional

Com o lançamento da pré-candidatura de Lula em Contagem, marco da história sindical e da luta política dos trabalhadores com as greves de 1968 contra a Ditadura Militar, o Lulismo e o PT fizeram de Minas o Estado chave para a construção da unidade nacional progressista

Com o lançamento da pré-candidatura de Lula em Contagem, marco da história sindical e da luta política dos trabalhadores com as greves de 1968 contra a Ditadura Militar, o Lulismo e o PT fizeram de Minas o Estado chave para a construção da unidade nacional progressista
Com o lançamento da pré-candidatura de Lula em Contagem, marco da história sindical e da luta política dos trabalhadores com as greves de 1968 contra a Ditadura Militar, o Lulismo e o PT fizeram de Minas o Estado chave para a construção da unidade nacional progressista (Foto: Carlin Moura)

Guimarães Rosa já dizia que "Com chefe bom, a gente chega longe". O Lulismo é exemplo vivo disso. Apesar da crise da esquerda pós-impeachment e todo ódio disseminado ao PT  pela grande mídia golpista, Lula é o grande líder nacional, que mesmo da cadeia, impedido de articular politicamente, tem seu legado guiando os rumos progressistas e a luta dos trabalhadores. A definição da eleição passará por sua influência política e seu magnífico potencial eleitoral, que mesmo judiado pelo golpe e pela prisão política, cresce a cada dia nas pesquisas. Lula é mais que candidato, é também o principal cabo eleitoral da esquerda.

Com o lançamento nacional da pré-candidatura de Lula pelo PT em Contagem, cidade mineira operária, marco da história sindical e da luta política dos trabalhadores com as greves de 1968 contra a Ditadura Militar, o Lulismo e o PT fizeram de Minas o Estado chave para a construção da unidade nacional progressista. No lançamento, a mensagem de Lula a interlocutores é a de que quer um vice mineiro, capaz de levar o nosso Estado mais uma vez ao protagonismo político das grandes questões nacionais, e fomentar o diálogo necessário entre as forças políticas progressistas para o sucesso nas urnas.

Entre os articuladores que estão levando o lulismo e o seu poder político para o centro das articulações, o nome de Pimentel vem surgindo nos bastidores como um aglutinador dos polos progressistas regionais. O governador de Minas Gerais tem feito movimentos importantes na costura política para uma união de forças de centro-esquerda. Esteve no encontro dos governadores do Nordeste, esteve também no pré-lançamento de Manuela D'Ávila. A vinda de Dilma para a disputa do Senado por Minas Gerais não foi um ato isolado, teve participação fundamental de Pimentel visando o fortalecimento do campo progressista mineiro.

Pimentel assumiu a agenda iniciada por Lula e agiu rápido para trazer Josué Gomes (filho do ex-vice-presidente José Alencar), do MDB para o PR. Josué é hoje visto como um coringa, jogando papel tanto em Minas como no Brasil, e acima de tudo para a aproximação política com o setor empresarial produtivo, que vem sendo dizimado pela política neocolonial de Temer/Meirelles, onde a indústria nacional não vê saídas no projeto político dos golpistas que atendem principalmente aos interesses do capital internacional e do mercado financeiro.

Pimentel vem mineiramente ocupando espaços nesse processo de articulação nacional. Dialoga bem com Ciro, prova disso que tem procurado se aproximar de Márcio Lacerda em Minas. Com a desistência de Joaquim Barbosa de disputar a presidência, o PSB pode não ter candidatura própria e apoiar Ciro, assim Lacerda poderia deixar de disputar o Governo de Minas para ocupar uma cadeira do Senado em nome da unidade nacional e até uma vaga de vice presidente como se tem cogitado. Vice de quem? Vai depender das correntezas das águas.

As conversas entre emissários de Lula  e Ciro já surtem efeitos. Ciro ja defende publicamente a revogação de medidas do governo golpista como a reforma trabalhista e a PEC do teto dos gastos, a recuperação da soberania da Petrobras, também defendeu o indulto a Lula, agendas que podem aproximar PT, PCdoB, PSB e PDT.

Lula sinalizou através de interlocutores no lançamento de sua pré-candidatura, para que a militância do PT não ataque o candidato do PDT, e passe a tratar Ciro como um candidato do mesmo espectro político, tendo em vista uma aliança futura no segundo turno. A unidade na esquerda passa por entender que o PT não deve atacar os aliados, e os aliados entenderem que o PT não pode abrir mão de sua candidatura, uma unidade de mão dupla.

O PCdoB representado no ato pela Deputada Jô Moraes, pré candidata ao Senado em Minas, reiterou que o Partido tem um excelente nome na disputa, Manuela D’Ávila, e que unidade do campo progressista nunca foi tão necessária, ainda mais em nossa realidade, em que a luta deve ser de salvação nacional. Lembrou que, desde João Amazonas, a unidade sempre foi a bandeira da esperança. Jô destacou que unidade se consolida em torno de um projeto de Nação.

Todas essas movimentações não passaram desapercebidas no palco ou nos bastidores de Contagem. A crise política levou o Brasil para uma bipolaridade de poder não antes vista: um polo representa o neocolonialismo e as velhas estruturas políticas que assolam o Estado brasileiro desde a primeira república. Esse está hoje representado no governo ilegítimo de Michel Temer, na mídia conservadora, e em setores do judiciário, que insistem em atropelar a ordem constitucional de 1988 e na escalada fascista de setores da sociedade civil e militar.

O outro polo representa o projeto nacional-desenvolvimentista que agrega forças políticas progressistas, duramente golpeado com o impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff, golpe esse continuado pela perseguição jurídica e midiática ao ex-presidente Lula e sua prisão sem provas.

A saída para os retrocessos impostos pelos golpistas instalados no governo atual passará pelas eleições de 2018, e a única chance das esquerdas e setores progressistas é vencer as eleições e retomar o poder político de maneira democrática. Para isso é preciso construir a unidade nacional entre os diversos polos regionais de poder espalhados pelo nosso vasto território.

No encontro de Contagem restou evidenciado que existem hoje inúmeros polos regionais de poder que têm dificuldades de dialogar entre si. Essa dificuldade de diálogo se evidencia mais entre o maior partido de esquerda do Brasil, o Partido dos Trabalhadores, muito em função de sua magnitude e da natureza de sua organicidade. O PT do Rio Grande do Sul tem certa dificuldade de dialogar e não mantém sintonia com os do Ceará, Piauí, e Bahia por exemplo. Cada um fala a sua linguagem e há poucos pontos de interação entre eles.

As decisões e estratégias políticas do campo progressista têm corrido soltas, sem que ninguém monitore com uma unidade nacional de pensamento ou comando que consiga convergir a diversidade de ideias em um projeto político nacional competitivo.

Essa unidade nacional quando ocorreu, se deu via SP onde o PT sempre foi o centro do comando dessas forças políticas porém, com o drama vivido pelo partido nos últimos anos, esse comando ruiu. Restou um certo vácuo nessas articulações.

Com a crise do PT paulista, novos atores políticos tentam surgir, em que pese a insuficiência de articulações. Hoje outros agentes políticos falam pelo PT e pela esquerda fora do foco paulista: temos Gleise Hofman, Lindberg, Flávio Dino, Ruy Costa, Camilo Santana, Paulo Câmara, Wellington Dias, Fernando Pimentel, dentre outros, além de Ciro Gomes e Manuela D'avila tentando falar por essa unidade nacional.

Esses atores políticos se encontraram em Contagem e, assim como a greve dos Metalúrgicos em 1968 furou o arrocho salarial e trouxe novos ares e força para combater a ditadura militar, novas ideias e caminhos virão por aí para reconduzir o Brasil a sua plena democracia.

Estamos vivendo em tempos de cárcere moderno, a ditadura do pós-modernismo político na era neocolonialista. No cárcere a esquerda sempre se une. A esquerda vai se unir! Não existe outra saída. O Lulismo tem enxergado isso e procurado cumprir seu papel histórico.

Sem essa articulação nacional não haverá luz no fim do túnel para as forças progressistas. A saída para o golpe é a eleição de um candidato do nosso campo, e encontrar o caminho para aglutinar a unidade nacional passa pela articulação política costurada a partir de Contagem,  nas alterosas das Gerais.

“Tremendo, este córrego da Fome! Em tempo de paz, não passa de um chuí chocho – um fio.” Guimarães Rosa em seu Burrinho Pedrês nos faz lembrar que bom mesmo era a era Lula, quando o rio da fome foi reduzido a um fio e que hoje na era Termer/Golpe volta a correr caudaloso. Só a unidade nacional pra fazer esse Rio voltar a correr como um fio e o Brasil a ser feliz de novo.

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