O parlashopping

Kim, o Menino Maluquinho, vai ao Congresso protocolar mais um pedido de impeachment da presidenta. Não sabe ele que os parlamentares têm assuntos muito mais importantes e muito mais urgentes para tratar

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Quando o Pequeno Kim, heroi dos midiotas, iniciou sua marcha para Brasília, o Brasil se encheu de curiosidade com a presença de uma inusitada marchadeira.

É que uma analfabeta política, exibindo garbo, se juntou à multidinha e potóco, potóco, potóco, pernas para o Planto Central.

O que faria essa saltitante donzela no meio daquela passeata, puseram a se perguntar atônitos curiosos em bares, feiras de livros, estádios vazios, velórios e até em presídios.

Certeza que ela acreditou que se tratava de uma caravana de jovens que dormiriam na esplanada à espera da inauguração do Parlashopping, um shopping center anexo ao Congresso e com estacionamento vertical e pago.

Uma espécie de Daslu do cerrado. Coisa de gente granfa.

Dizem que a edificação monumental terá a forma de um jabuti. Niemeyer morreu e, como não previu essa urgentíssima demanda parlamentar, não rabiscou nada que se parecesse com um centro de compras e de diversão.

Apesar de ter emplacado na esplanada um grande jabuti com o rabo curvado, conhecido como Museu da República.

Pelo twitter, a garbosa marchadeira recebeu a informação de que o shopping parlamentar ainda estava no papel e sem previsão de inauguração.

A moça deu meia volta e voltou ao Iguatemi, para lamber um delicioso e colorido sorvete importado.

Mas a enquete continua, as pessoas perguntam umas às outras em bares, boates, academias, prostíbulos, food trucks, em acareações da justiça e mesmo na Grande Ordem dos Surdo-mudos: por que diabos um shopping, o que terá nele?

De um coisa todos sabemos, no shopping do Congresso jamais terá black friday, porque friday parlamentares não trabalham.

Jaça terá ali um amplo salão, só para homens: tintura em bigodes, poda em barbas, pinça em sobrancelhas...

Já ouço Feliciano entrando de mãos dados com Bolsonaro no famoso coiffeur, todo amistoso e fanfarrão: "Jaça, apara na frente e pica atrás."

Diferente dos shoppings convencionais, o Parlashopping não terá lanchonetes, chega daquela budega do Buani, aquele farofeiro que dedurou Severino Cavalcanti por superfaturamento de quentinhas em sua fuleira lanchonete na Câmara.

O Parlashopping terá somente churrascarias e restaurantes, o Piantella já reservou espaço que terá a mesma mesa reservada ao eterno Dr. Ulisses, o náufrago.

E oh, esquece essa de pongar em manifestações somente com o intuito de dar rolezinho no Jabutizão, no Parlashopping só entrará de crachá, porque será um shopping exclusivo.

Jane Corner e outras cafetinas da capital já tentam barrar a obra, que terá um efeito devastador no rufianismo, no lenocínio e na cafetinagem em Brasília.

É que agora as esposas dos parlamentares não sairão mais da capital. E já cobram dos maridos uma emenda parlamentar que inclua o Bolsa Louis Vuitton família.

Uma vez que nada nesse shopping será pago com dinheiro vivo, as lojas estarão credenciadas a aceitarem somente cartões corporativos, tickets e vales corporativos.

Sairá tudo do bolso do contribuinte.

Eraldo Pereira terá dificuldade de fazer o seu pinga-fogo no salão verde. Daqui pra frente tudo será feito no shopping.

Deputados e deputadas darão entrevistas sobre cortes no orçamento enquanto enxáguam os cabelos, fazem as unhas, beliscam um camarão ou experimentam um sapato agulha.

O Pequeno Kim, e seu pequeno grupo de órfãos de Aécio, continua sua marcha ao Planalto, para se proteger da chuva ele colocou uma panela na cabeça.

O Menino Maluquinho vai ao Congresso protocolar mais um pedido de impeachment da presidenta. Não sabe ele que os parlamentares têm assuntos muito mais importantes e muito mais urgentes para tratar.

Ao chegar em Brasília, o Pequeno Kim vai se deparar com uma imagem que nunca mais sairá de sua cabeça, a fachada do Congresso Nacional.

O desenho é claro, o Congresso Nacional é um Grande Agá.

Palavra da salvação.

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