O povo exige de nós coragem e ousadia. Cabe ao PT responder

Neste 6° Congresso que se avizinha, precisamos rever a tática e a estratégia que norteará nossa atuação para os próximos períodos

Neste 6° Congresso que se avizinha, precisamos rever a tática e a estratégia que norteará nossa atuação para os próximos períodos
Neste 6° Congresso que se avizinha, precisamos rever a tática e a estratégia que norteará nossa atuação para os próximos períodos (Foto: Alberto Cantalice)

1. O golpe desfechado contra o mandato legítimo da Presidenta Dilma Rousseff pelo consórcio fisiológico que hoje comanda o Planalto revelou a face perversa das elites econômicas e financeiras e seus agentes.

2. O desmonte contínuo das políticas sociais vem enterrando uma série de conquistas populares que levaram décadas de lutas para serem inseridas no arcabouço jurídico do país. Nem o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), cavalgando o chamado "consenso de Washington" e suas políticas neoliberais ousaram tanto.

3. Nunca na história brasileira a nossa política externa esteve tão rebaixada. Todas as conquistas que visam a maior integração entre as nações buscando um universo multipolar, como na América Latina o Mercosul e em um plano mais amplo os Brics, vem sendo diuturnamente boicotado pela atual chancelaria do governo usurpador.

4. Fazer frente à essa situação de terra arrasada exigirá das forças democráticas e progressistas uma oposição firme e combativa. Neste sentido, o Partido dos Trabalhadores, ora sofrendo uma caçada visando seu cerco e aniquilamento, com a busca frenética pela criminalização de suas lideranças e de seu legado por parte dos setores privilegiados da sociedade, é a força política que poderá galvanizar vastos setores da população para resistir.

5. Por isso, neste 6° Congresso que se avizinha, marcado para o primeiro semestre de 2017, precisamos rever a tática e a estratégia que norteará nossa atuação para os próximos períodos.

6. É imprescindível aprimorar os canais de interlocução com a grande massa de filiados e simpatizantes do partido. Para isso, ganha destaque o papel das novas mídias e seu potencial de facilitar a interação online repassando informações e recebendo as críticas e sugestões da militância.

7. É sabido por todos que uma das grandes reclamações das bases reside no fato que as mesmas são pouco ou quase nunca ouvidas pelos organismos de direção partidária nos seus mais variados níveis.

8. Claro está que a interlocução via online jamais substituirá o contato presencial. Seria ingênuo e contraproducente não entender isso. O que temos com as mídias digitais é agilidade nos contatos e maior capacidade reprodução de informações.

9. Cabe destacar que, com o advento da comunicação online, muitas das mentiras assacadas pela grande mídia monopolizada têm sido desmontadas pelas redes em tempo quase real. Por isso a necessidade cada vez mais premente da integração em rede de todas as estruturas que gravitam em torno do partido, bem como de seus órgãos internos desde os zonais até o Diretório Nacional.

10. A juventude exerce e exercerá cada vez mais um papel de protagonizar o processo político. Neste sentido, o PT precisa dar o devido tratamento a questão. A construção de uma juventude petista autônoma com políticas próprias, recursos próprios e linguagem própria pode ser a saída para o crescente envelhecimento das fileiras partidárias.

11.Portanto, a questão da interlocução com a juventude reveste-se na principal tarefa da direção partidária na quadra que se avizinha.

12.Outro dado relevante é a iniciativa da Secretaria Nacional de Organização com o apoio da Secretaria de Comunicação de desenvolver uma exitosa campanha de filiação pela internet. A adesão de milhares de pessoas voluntariamente às fileiras do PT em curto espaço de tempo, mostra a emergência de um partido vivo.

13.Só com a reflexão coletiva e principalmente com um retorno às bases populares, conseguiremos superar a profunda burocratização e institucionalização que tomou conta de nossas fileiras.

14.Foi o abandono das práticas democráticas internas e a busca de soluções "pelo alto", que nos levaram a "sofrer" de uma gravíssima ilusão de classe, a mãe dos grandes males que hoje atingem o partido.

15.O reconhecimento desses equívocos coletivos, com certeza levarão a retomada de nosso protagonismo junto ao povo que é, e sempre será, o objetivo de uma força política que há 37 anos luta pela assunção das classes populares aos espaços de decisão dos organismos de estado e pelo aprofundamento da democracia no Brasil, quebrando as perversas barreiras das desigualdades sociais, raciais e de gênero.

16.Para realizar esse conjunto de tarefas é necessário e urgente a constituição de um novo bloco político com origem nas esquerdas partidárias e nos movimentos sociais, chegando até a setores de centro do espectro político e social e que sejam solidários na luta contra as iniquidades brasileiras.

17.Herdeiro das tradições centenárias de lutas do povo brasileiro, o Partido dos Trabalhadores não pode falhar. As expectativas cada vez maiores do povo e o repúdio às práticas dos golpistas serão cada dia mais, colocada em xeque.

18.Apresentar-nos como alternativa a esse status quo, virá com um conjunto de propostas que efetivamente possam melhorar as condições de vida dos mais amplos setores da sociedade.

19.Quebrar a ciranda financeira cujos beneficiários são os setores rentistas e os demais segmentos financeirizados com a queda substancial das taxas de juros.

20.Promover uma ampla reforma tributária que vise a taxação dos grandes lucros e das grandes rendas.

21.Construir uma verdadeira reforma política, que institua o financiamento público das campanhas eleitorais; o fim das coligações proporcionais e a criação de uma cláusula de desempenho.

22.Trabalhar pela democratização dos meios de comunicação, proibindo a propriedade cruzada e a posse de veículos de rádio e TVs por parlamentares, além de promover uma distribuição mais plural das concessões públicas de rádio e TV, entre outras medidas corajosas e urgentes.

23.Dar um salto de qualidade na saúde, na educação e nos transportes públicos, fortalecendo o SUS, instituindo o horário integral em todas as escolas públicas de ensino básico e fundamental e dinamizando o transporte coletivo, principalmente no que concerne a periodicidade e qualidade dos serviços de transporte de massa.

24.Reconhecer o fracasso da política de "guerra às drogas", apontando a necessidade de uma abordagem mais ampla sobre a questão da descriminalização.

Só um partido unido e consciente do seu papel histórico será capaz de fazer frente a essa e outras demandas populares.

Vamos em frente. Nós voltaremos!

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