O presidente capitão arruina a saúde. O ministro general aceita tudo. Manda quem pode

"A postura desmedidamente amalucada do presidente da República tem nos episódios da crise sanitária um espelho do que ele vem fazendo na gestão do País como um todo", avalia o jornalista Gilvandro Filho

Bolsonaro, Coronavac e Pazuello
Bolsonaro, Coronavac e Pazuello (Foto: PR | Reuters)
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Por Gilvandro Filho, para o Jornalistas pela Democracia 

A aparição, na TV, do presidente Jair Bolsonaro ao lado do ministro da Saúde, o general da ativa Eduardo Pazuello, é uma das coisas mais deploráveis que o bolsonarismo já produziu. A cena seria impensável se estivéssemos em um país governado em uma situação normal, por um presidente normal à frente de um ministério normal, com um Exército normal. Como nada disso traduz o mínimo de normalidade, o que se dizer sobre esse circo de horrores protagonizado por um presidente da República inadequado e coadjuvado por um militar de alta patente, ora no comando de um ministério que é subordinado a um ex-capitão retirado do serviço militar por questões de comportamento? Pouco, além de se constranger e se ratificar que, no governo atual, a falta de senso é o requisito número um para todos os seus integrantes. Tudo junto e bizarramente misturado.

Na cena, Bolsonaro, que já teve Covid-19 – ou diz que teve –, pergunta ao seu subordinado de alta patente, agora contaminado, se este volta ao trabalho em poucos dias. Pazuello sorri amarelo e responde ao público: “Um manda e o outro obedece”, ignorando o seu próprio estado de saúde, relatado em detalhes, minutos antes. Um festival de estupidez e de irresponsabilidade partido do posto maior do governo brasileiro e do mais alto cargo do Ministério da Saúde. O diálogo foi um episódio lamentável, exemplo trágico para milhares de pessoas que têm do presidente um “mito”. Inaceitável para o resto do País que assiste, incrédulo, os desdobramentos de um governo tão assustador quanto a personagem que, de maneira tão inadequada, foi escolhida, no voto popular, para estar à frente da Nação.

Bolsonaro, dia antes, achincalhou a autoridade do seu ministro da Saúde, quando, para agradar à ala mais tresloucada dos seus apoiadores, desautorizou Pazuello e descartou comprar a vacina chinesa que o seu auxiliar admitiu adquirir. A desculpa de Bolsonaro, além de outras perorações de natureza racista, foi de que a vacina não tem eficácia “cientificamente comprovada”. Argumento que não bate com o que Bolsonaro pensa da ciência. Logo ele, um negacionista juramentado, atrasado e contumaz. Logo ele, garoto propaganda apaixonado e irresponsável da inútil cloroquina, sabe-se lá com que propósitos ou objetivos.

A postura desmedidamente amalucada do presidente da República tem nos episódios da crise sanitária um espelho do que ele vem fazendo na gestão do País como um todo. Na explosão do número de armas de fogo e, consequentemente, dos feminicídios e homicídios em geral; no volume das queimadas e na destruição de patrimônios naturais e ambientais do Brasil e da Humanidade, como a Amazônia e o Pantanal; na subserviência desmedida aos Estados Unidos de Donald Trump, o que leva o Brasil a uma situação ainda mais complicada caso o candidato republicanos perca mesmo as eleições nos EUA, como apontam as pesquisas; na tragédia em que se transformou a Educação; no afrontamento à Justiça e no aparelhamento dos aparelhos policiais. Não há um setor que gere o mínimo de esperança.

E aí entra o Exército Brasileiro. Hoje, o Exército de Pazuello, de Hamilton Mourão, do general Augusto Heleno. Uma instituição que aceita, passivamente, o que faz e acontece o mesmo oficial que, décadas atrás, foi tido por ela mesma como um elemento inadequado e impróprio a ponto de lhe espanar para a aposentadoria. O Exercito ameaça a sua própria existência ao se subordinar a um tipo feito Bolsonaro. Pode ter que se explicar muito, lá na frente.

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