O primeiro e o segundo ato de Temer

A emenda parece ter sido pior que o soneto. Ou seja, mais uma vez o chefe ilegítimo da nação, além de não convencer, irritou mais ainda os 92% da população que almejam a sua saída

A emenda parece ter sido pior que o soneto. Ou seja, mais uma vez o chefe ilegítimo da nação, além de não convencer, irritou mais ainda os 92% da população que almejam a sua saída
A emenda parece ter sido pior que o soneto. Ou seja, mais uma vez o chefe ilegítimo da nação, além de não convencer, irritou mais ainda os 92% da população que almejam a sua saída (Foto: Ricardo Fonseca)

Quase 24 horas depois de estourada as gravações dos donos da Friboi, fato que causou um terremoto na política brasileira, o Presidento Michel Temer fez o seu primeiro pronunciamento a nação. Como não convenceu, após 48h ele voltou para os holofotes oficiais e realizou o segundo pronunciamento. A emenda parece ter sido pior que o soneto. Ou seja, mais uma vez o chefe ilegítimo da nação, além de não convencer, irritou mais ainda os 92% da população que almejam a sua saída; assim como partidos políticos e a própria OAB, entraram no time dos “Fora Temer” e se juntaram ao resto do País.

A impressão que se tem é que Temer aconselhou-se com o jornalista/blogueiro Reinaldo Azevedo, por ter usado basicamente os mesmos argumentos para tentar defender o indefensável. A sua tese baseia-se principalmente na ilegalidade das gravações, seu uso político e sobretudo nas forças ocultas que estariam tramando pela sua derrocada. 

Em sua primeira declaração oficial à imprensa brasileira e ao País, Temer disse que só falou naquele momento porque os fatos se deram no dia anterior e porque tentou conhecer a íntegra das gravações, fato que disse não haver conseguindo anteriormente. Uma falácia deslavada, porque todos os veículos de comunicação, já haviam publicado o conteúdo dos áudios na íntegra naquele mesmo momento.

Na sequência, se fez de vítima dizendo que vivera os melhores e piores momentos do seu governo, para tentar desviar os fins e justificar os meios. Crescimento econômico, queda da inflação e geração de emprego. Estes são os pontos essenciais para o combate à crise e foram muito bem empregados pela equipe de marketing, com intuito de promover um mea-culpa, em seus detratores.

Mais que de novo ele disparou um belo jogo de palavras para tentar se vitimizar, usando uma retórica bonita sobre o “fantasma da crise política” e, a retomada de um possível otimismo vivido pelo povo nos últimos dias. Uma enorme balela pra inglês ver.

“Nada tenho a esconder, sempre honrei meu nome, na universidade, na vida pública, na vida profissional, nos meus inscritos, nos meus trabalhos. E nunca autorizei, por isso mesmo, que utilizassem meu nome indevidamente. Mentira, num determinado momento ele diz: “Tem que manter isso, viu”.

Ele encerra o primeiro pronunciamento lavado de “Óleo de Peroba” na face e dizendo: “Não renunciarei, repito, não renunciarei!” A pseudo segurança de Temer em permanecer no poder custe o que custar, só o faz cada vez mais ilegítimo. Além de reforçar a tese de que a sua estada no Planalto não passou de um bem planejado golpe paraguaio e, cuja a duração, teria evidentemente um curto espaço de tempo para terminar. Em nenhum momento ele deslegitima os áudios ou imputa o seu crime a Joesley. Temer apenas tenta justificar o injustificável.

Porém, a repercussão foi muito negativa aumentando a crescente demanda pelo “Fora Temer”, até de ex aliados da última hora como Roberto Freire do PPS, o PSB e a OAB.  Elsinho Mouco e a sua ágil assessoria de comunicação entra novamente em ação com uma nova encenação para tentar muda o rumo dos fatos.

Um Temer devidamente abatido faz então o seu segundo pronunciamento. E por melhor que pareça para seus aliados, ele conseguiu se emaranhar cada vez mais, nessa teia de ilícitos que se envolveu conscientemente, apesar de tentar fazer o ingênuo.

Ora, um Presidente da República que recebe um mega empresário indiciado em operações  federais, de noite, às escondidas e fora da agenda oficial, tinha algo muito grave á esconder. Afinal, aquilo não foi só uma conversa de comadres para resolver quisilhas de vizinhas; Joesley Batista mostrou que tinha força, intimidade e moral político-administrativa no governo temerário. E mais que isso, conseguiu provar que foi apenas mais uma vítima do arcaico sistema de corrupção que se instalara nos governos brasileiros há décadas. Sistema que gera centenas de corruptores e corruptos pelo País adentro.

Temer bem que tentou, mas não conseguiu convencer no segundo pronunciamento com o aval da notícia veiculada na “Folha de São Paulo”;  ele tentou explicar o que jamais conseguirá – uma concreta e honesta  inocência.

“Eu registro que eu li hoje notícia do jornal Folha de São Paulo de que perícia constatou que houve edição no áudio de minha conversa com o senhor Joesley Batista. Essa gravação clandestina, é o que diz, foi manipulada e adulterada com objetivos nitidamente subterrâneos. Incluída no inquérito sem a devida e adequada averiguação, levou muitas pessoas a um engano induzido e trouxe grave crise ao Brasil.” Disse o já apático presidente.

Sim, os sócios da Friboi são corruptores e precisam pagar legalmente pelos delitos cometidos. Mas só o são pela promoção da enorme indústria de corruptos principalmente na capital federal, que precisa ser desmantelada. E principalmente, que seja punida perante a lei e a ordem constitucional desse País.

Agora mais do que nunca as reformas terão que ser urgentes, tanto na política quanto na justiça. Para que isso ocorra, a punição para essas práticas recorrentes, deverá ser um exemplo de combate efetivo à impunidade.  Principalmente para os atuais crimes de colarinho branco, que ficaram impunes em momentos importantes da história, como foi o caso PC Farias no governo Collor.

Há de se fazer um destaque imprescindível nessa assertiva. Ministros do STF e juízes federais, não podem em hipótese alguma, manter relações pessoais ou cordiais de amizade com réus ou investigados pela justiça. Essas relações, maculam profundamente a credibilidade institucional do judiciário. Fato público e notório, onde se enquadram Ministros do STF e até um juiz federal.

Temer não tem condições nenhuma de governar, perdeu a oportunidade de transformar o seu PMDB protagonista de uma potência de poder político administrativo. Ao contrário, destruiu todas possibilidades de construção de suas tão difundidas “Pontes para o futuro.” O presidente jogou o seu partido na mesma vala comum a que se encontram o PSDB e os partidos envolvidos na tal  Operação Lava Jato.

Com a empáfia de não querer renunciar, o decorativo será afastado certamente  pelo pleno do STF ou quem sabe por decisão monocrática do Ministro Herman Benjamin do TSE. Sua saída é líquida e certa, sendo apenas uma questão de dias ou quem sabe até de horas.

Michel Temer é um profundo conhecedor das leis, onde é doutor em direito público e professor em direito Constitucional e direito Civil na PUC-SP. Jamais seria esse poço de inocência que disse em recente entrevista à “Folha de São Paulo”. Eles sabiam exatamente o fazia depois das 23hs daquele fatídico dia. E claro que 92% do povo brasileiro tem ciência disso.

Resta-nos saber se teremos uma eleição indireta feita por um Congresso repleto de parlamentares envolvidos em crimes ou se teremos efetivamente uma eleição direta. Na opinião de muitos especialistas, é a melhor solução para essa crise institucional. 

O importante é que Temer seja afastado definitivamente do poder ao qual ele nunca deveria ter estado. E que esse golpe que o guindou ao poder, não seja jamais esquecido nos livros de história do Brasil, #DiretasJá.

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