O princípio da reciprocidade

“Bolsonaro comunicou a Trump que, em reciprocidade às inúmeras contribuições dadas pelos Estados Unidos aos golpes de Estado no Brasil, estava pronto para enviar nossas tropas, a fim de assegurar a Trump um novo mandato que lhe havia sido usurpado pelas urnas”, ironiza Florestan Fernandes em texto de ficção sobre a extrema-direita brasileira e norte-americana

www.brasil247.com - Jair Bolsonaro e Donald Trump
Jair Bolsonaro e Donald Trump (Foto: Alan Santos - PR)


Por Florestan Fernandes, do Jornalistas pela Democracia

Atenção! Atenção! Tropas brasileiras se preparam para desembarcar na costa leste dos Estados Unidos, em missão para livrar nosso Irmão do Norte do espectro comunista, disseminado ali pelos correios, com apoio da Ucrânia, da China e do 5G!

Basta! De comunista do Norte já chega a Coréia!!

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Solidário a Trump, que antevendo uma derrota para o ultra-esquerdista Joe Biden, foi à TV acusar o adversário de dar um golpe por excesso de votos populares, Bolsonaro resolveu agir. Amigo, como se sabe, é pra essas coisas. Escorado na ampla tradição da caserna tupiniquim, useira e vezeira em defender a democracia dela mesma, o Presidente brasileiro, mais do que prestar solidariedade pessoal, resolveu agir. E como! Rememorando a Trump a longa tradição verde-amarela de dar golpes para defender a democracia do perigoso princípio da alternância de poder, Bolsonaro comunicou a Trump que, em reciprocidade às inúmeras contribuições dadas pelos Estados Unidos aos golpes de Estado no Brasil, estava pronto para enviar nossas tropas, a fim de assegurar a Trump um novo mandato que lhe havia sido usurpado pelas urnas. O general Heleno, inclusive, com a experiência que o Haiti lhe deu, já havia mandado lavar e passar a farda para comandar nossas tropas em território ianque, entregando o pijama mais uma vez à naftalina. E, pensando nas glórias passadas de Monte Castelo, sonhava com o Monte Rushmore. “Piece of cake!”, encorajou Ernesto Araújo.

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O Capitão, com larga experiência em conflitos armados na Baixada Fluminense, onde conta com muitos amigos ligados à milícia, prontificou-se em dar total apoio logístico ao brother Trump para seu golpe preventivo contra o golpe dos criptocomunistas dissimulados pela bandeira azul do Partido Democrata. E, para garantir a permanência do amigo na Casa Branca, Bolsonaro comunicou a um atônito Trump que o caminho era sem volta. Acabara de deflagrar a Operação Brother Jão, em retribuição à Operação Brother Sam, aquela que, com porta-aviões norte-americanos estacionados na costa brasileira, deu retaguarda à deposição do Presidente João Goulart pela ação dos heróicos defensores da democracia militar de 1964. Aliás, já dera, inclusive, ordens ao Ministro da Marinha para lubrificar o porta-aviões Minas Gerais e pô-lo em marcha acelerada (tanto quanto possível) para que ficasse providencial e vigilantemente ancorado nas proximidades da foz do Rio Hudson, no caso de necessidade de algum reforço contra eventuais resistências.

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Trump agradeceu ao amigo que no ano passado demonstrou toda sua calorosa fidelidade ao dedicar um sonoro "I Love You" ao Chefe Supremo do Planeta. Ao que parece, Trump concordou com o Plano, mas adiantou que só dará uma semana de visto às tropas brasileiras. Não quer correr o risco de ter mais brazucas clandestinos por lá. Ainda antes de se despedir do Chefe de Estado americano, parece que Bolsonaro, patrioticamente, bateu continência à bandeira dos Estados Unidos, bradando: “Pelos States vou ao infinito e além! America First!”.

PS: Este texto é uma obra de ficção, inspirada em dois homens públicos, produtos e criadores da chamada Era das Fake News. Basta dizer que apenas Donald Trump contabilizou 20 mil mentiras ditas ao público nos 4 anos de seu mandato presidencial. Por isso, como dizem os italianos, “se non è vero, è bem trovato!”.

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Este texto originou-se de uma conversa descontraída com o dileto Fulvio Giannela Jr.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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