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Leopoldo Vieira

Jornalista profissional, pós-graduado em Administração Pública e Ciência Política. CEO da Idealpolitik. Trabalhou como analista sênior de política na Faria Lima (TradersClub) e nos ministérios do Planejamento, Secretaria de Governo e Relações Institucionais nos governos Dilma Rousseff e Lula.

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O PT ajudou Temer?

A história parece ser outra: há um setor da sociedade, que não era oposição a Temer, que quis derrubar o governo e perdeu (assim como o PT) e desconta no petismo a sua dor de cotovelo, disseminando para analistas este balão de ensaio

Presidente Michel Temer 12/07/2017 REUTERS/Adriano Machado (Foto: Leopoldo Vieira)

A bancada do PT votou inteira contra o relatório do PSDB, inclusive o secretário de estado da Bahia que reassumiu o mandato para a sessão de 02/04.

A bancada do PT confeccionou adesivos iguais à tatuagem de Wlad Costa agregando o "fora" à bandeira do Brasil e "Temer".

Todos os discursos foram criticando o governo, o presidente e o Impeachment.

Mas, o que circula em muitos balanços é que o PT estava a favorecer Temer.

A "evidência" seria a baixa mobilização para o dia da votação da denúncia de Rodrigo Janot.

Oras, é useira e vezeira a conversa de que o partido se afastou dos movimentos sociais desde que ganhou em 2002. Creditam isso até ao pouco apoio que Dilma teve para resistir na cadeira presidencial.

Confuso esta exigência agora, não?

A história parece ser outra: há um setor da sociedade, que não era oposição a Temer, que quis derrubar o governo e perdeu (assim como o PT) e desconta no petismo a sua dor de cotovelo, disseminando para analistas este balão de ensaio.

Até porque realmente temem que as "medidas amargas porém necessárias" do governo pode mesmo beneficiar Lula. E pernas já devem estar bambas com a pesquisa Vox Populi divulgada nesta sexta-feira, com o ex-presidente crescendo e liderando 2018, apesar da condenação de Sergio Moro.

Supôs, antes de 02/04, que editorial e telejornal seriam suficientes para pôr a cidadania em movimento para qualquer interesse que agitasse.

Resta-lhes que se entendam com Temer ou o chamem de "papai".

No mais e ao que parece, o partido agirá com base na síntese que fez Marco Maia em seu voto: oposição ao "conjunto da obra" do governo.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.