O PT não tem medo do Brazil

Quando afirma que o governo perdeu a legitimidade, Villa acredita na própria mentira. Com 54 milhões de votos nenhum governo ou presidente é ilegítimo

Quando afirma que o governo perdeu a legitimidade, Villa acredita na própria mentira. Com 54 milhões de votos nenhum governo ou presidente é ilegítimo
Quando afirma que o governo perdeu a legitimidade, Villa acredita na própria mentira. Com 54 milhões de votos nenhum governo ou presidente é ilegítimo (Foto: Alberto Militanque)

O historiador Marco Villa cometeu um artigo em que revela toda a confusão da oposição em construir uma alternativa golpista ao PT e seus aliados no governo, mas amparada num discurso de verniz democrático.  Vamos parte a parte daquilo que é essencial em seu raciocínio.

1)"A aristocracia petista vive o seu pior momento. E Lula não vai sair do poder sem antes usar de todas as armas, legais ou não (...)Ele incitou à desordem, ameaçou opositores e conclamou o MST a agir como um exército, ou seja, partir para o enfrentamento armado contra os adversários do projeto criminoso de poder, tão bem definido pelo ministro Celso de Mello, do STF." 

Ora, ao final do artigo, Villa diz: "É agora que devemos ocupar as ruas". Ou seja, a oposição pode e deve usar os direitos constitucionais legais de expressão, reunião, manifestação e o PT não? Não estamos falando em reação de governo, de pronunciamento em cadeia nacional etc. Estamos falando de um cidadão e diversos movimentos sociais. O historiador sabe que "exército" foi uma metáfora. Agora, com certeza, "exército" neste caso é muito mais metafórico do que o "Intervenção Militar Já" exibido em faixas de manifestações puxadas por lobões à espera de Aécios.

2)Ocorre que para o historiador, o discurso democrático só serve a um senhor, a "grei" dele (by Joaquim Barbosa). Vejamos:

Diz, fazendo analogia entre o Impeachment de Collor com o cenário atual (analogia em política é aquilo que faz a inteligência descansar): "O quadro atual é distinto (...) O governo tem um sólido partido de sustentação (...) A base congressual é volátil mas, aparentemente, ainda responde ao Palácio do Planalto. As divergências com o sócio principal do condomínio petista, o PMDB, são crescentes mas estão longe do rompimento. Em 12 anos, o governo construiu (...) uma estrutura de apoio social. E, diferentemente de Collor, Lula estabeleceu uma sólida relação com frações do grande capital — a “burguesia petista” (...)". Adiante, chega às raias do confessionário: "Deve ser reconhecido que Fernando Collor aceitou o cerco político (...) E foi apeado legalmente da Presidência sem nenhum gesto fora dos limites da Constituição".

A questão então é que o PT e seus aliados deveriam ficar inertes, aceitando o jogo do suposto Impeachment e não fortalecer o partido, retomar o diálogo com a base e com os movimentos sociais e, muito menos, cultivar aliados no meio empresarial.

3)A "análise de conjuntura" que embasa a tese do historiador é um conjunto de subjetividades autoritárias que contradizem as afirmações supracitadas dele mesmo. Vejamos: "O governo perdeu legitimidade logo ao nascer. Dilma não tem condições de governar, não tem respeitabilidade, não tem a confiança dos investidores, dos empresários e da elite política. E, principalmente, não tem mais apoio dos brasileiros horrorizados com as denúncias de corrupção". 

Quando afirma que o governo perdeu a legitimidade, Villa acredita na própria mentira, pois ele mesmo diz que "Dilma é uma presidente zumbi, por incrível que pareça, apesar dos 54 milhões de votos recebidos a pouco mais de quatro meses". Ou seja, com 54 milhões de votos nenhum governo ou presidente é ilegítimo. O medo dele é justamente estes 54 milhões passarem à ação, liderados por ela  e por Lula, sendo que este já convocou a reação. Depois, há investidores, empresários, setores da elite política e brasileiros que apoiam Dilma, Lula, o PT e seus aliados. E a defesa deles do governo é absolutamente legítima dentro do jogo constitucional.

4)Ao afirmar que "A estratégia lulista para se manter a todo custo no poder é de buscar o confronto, de dividir o país, jogar classe contra classe, região contra região, partido contra partido, brasileiro contra brasileiro", Villa revela no que realmente acredita: num país que ignore as desigualdades e iniquidades regionais, as iniquidades e desigualdades de classe social, de partido único (único caso onde não há "partido contra partido"), que é a ampla hegemonia de um "pensamento único", o grande mito neoliberal, a quem Villa é devoto, que torne "brasileiro" um embrutecido por valores que os amigos do historiador propagam do gênero "não existe racismo", “orgulho hétero”, “sem bermudas em aeroportos”, “só filhos de ricos da universidade”, “negros pelo elevador de serviço” e tanto outros nazismos que gente como Villa dissemina todos os dias nas rádios e TVs...

5)Se para Villa está colocado que "o custo será alto", já ameaçando o país, e que "É agora que efetivamente testaremos se funciona o Estado Democrático de Direito. É agora que veremos se existe uma oposição parlamentar. É agora que devemos ocupar as ruas. É agora que teremos de enfrentar definitivamente o dilema: ou o Brasil acaba politicamente com o petismo, ou o petismo destrói o Brasil", oporemos que, sim, é agora que testaremos se existe base parlamentar (e institucional) do governo, se o Estado Democrático de Direito funciona e, com grande parte do projeto da CF de 88 realizado por Lula e Dilma, este povão beneficiado sai em defesa dele e toma as ruas para mostrar que o Brasil é muito  mais do que "coxinhas x petralhas" e que, sorry, mas o PT não teme o “Brazil”.

Para terminar, cabe uma observação ao artigo de Rodrigo Constantino (http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/171835/Menino-maluquinho-da-direita-ironiza-Bresser-Pereira.htm) : é o velho recalque por os petistas terem aliados empresariais, terem mandatos, prefeitos, governadores, membros de governo, artistas, e poderem usufruir da mobilidade social do capitalismo porém, ainda assim, não arredarem o pé da soberania política, independência econômica e justiça social. 

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