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Leopoldo Vieira

Jornalista profissional, pós-graduado em Administração Pública e Ciência Política. CEO da Idealpolitik. Trabalhou como analista sênior de política na Faria Lima (TradersClub) e nos ministérios do Planejamento, Secretaria de Governo e Relações Institucionais nos governos Dilma Rousseff e Lula.

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O PT tem que ter um presidente que possa disputar a presidência da República

Fora do governo, o PT pode e deve seguir o exemplo das democracias européias nas quais o líder do partido é o que encabeça a lista ou a chapa para as instâncias máximas dos países. E, de concreto, o que o PT tem a mostrar, afora os idílios do "poderia ser" e "deveria ser", é a maior obra do ex-presidente

28/09/2016- Campinas- SP, Brasil- Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa de caminhada com o candidato a prefeitura de Campinas, Marcio Pochmann. Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula (Foto: Leopoldo Vieira)

Nesta tarde de quinta-feira, a força-tarefa da operação Lava Jato denunciou novamente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mais uma da metralhadora giratória contra o sistema político.

O que parece estar em curso é impor ao País que quase todos os presidenciáveis fortes de 2018 sejam indiciados, denunciados ou réus para desmoralizar qualquer alternativa oriunda do processo democrático.

Lula está sabendo se defender, mas tem pode mais do que isso neste momento histórico.

Concomitante às denúncias, cresce a expectativa de que ele assuma a presidência do seu partido, o PT.

É o melhor o que pode fazer.

A partir dessa posição juntará sua defesa à defesa do partido. Como líder da força política, poderá juntar também as pautas petistas de sua liderança que segue na dianteira das intenções de voto. E terá o espaço adequado para demarcar ou mediar posições com o governo Michel Temer sem o zum zum zum nas lides petistas que já se tornou comum.

Fora do governo, o PT pode e deve seguir o exemplo das democracias européias nas quais o líder do partido é o que encabeça a lista ou a chapa para as instâncias máximas dos países.

E, de concreto, o que o PT tem a mostrar, afora os idílios do "poderia ser" e "deveria ser", é a maior obra do ex-presidente: 20 milhões de empregos, advindos da combinação de crescimento com distribuição de renda, possível pela concertação entre capital e trabalho e uma governabilidade mais ampla em nível congressual.

É que o que, mesmo com narizes tortos, parte da ciência política tem chamado de lulismo.

Sem dúvida, Lula presidente do PT arma o partido e a si mesmo para enfrentar uma situação só semelhante à Revolução de 1930.

Em outras palavras, o PT tem que ter um presidente que possa disputar a presidência da República.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.