O purgatório da biodiversidade brasileira

As consequências mais trágicas da política deliberada de agressão ao meio ambiente podem ser vistas nos devastadores incêndios que assolam diferentes biomas brasileiros

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A agonia ambiental brasileira parece não ter fim e a permanência de Ricardo Salles frente ao ministério do meio ambiente é fator preponderante para isso: desde que assumiu a pasta, o desmonte da governança ambiental segue acelerado, destruindo um trabalho de décadas na normatização da exploração dos recursos naturais com sustentabilidade e respeito à cultura e tradições dos povos tradicionais que há séculos habitam o território brasileiro.

As consequências mais trágicas desta política deliberada de agressão ao meio ambiente podem ser vistas nos devastadores incêndios que assolam diferentes biomas brasileiros, simultaneamente, arrasando com chamas porções consideráveis da Amazônia, Cerrado e Pantanal. Este último, neste momento, está com mais de 30% de sua área consumida pelo fogo, que segue descontrolado e destruindo a fauna e flora deste delicadíssimo ecossistema.

O desmonte da governança ambiental também se traduz em perdas econômicas para o País. No último dia 7 de outubro, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução que solicita alterações na agenda ambiental dos países signatários do tratado comercial Mercosul-UE. Pelo acordo, parceiros comerciais que firmem contratos com a União Europeia devem garantir o mesmo  padrão de controle de qualidade, sustentabilidade e condições trabalhistas dos países europeus.

Em setembro, outro duro golpe para o setor produtivo e comércio exterior brasileiro veio com uma carta redigida e assinada por doze chefes de delegações diplomáticas europeias externando a sua preocupação com a política ambiental brasileira. No documento, pedem medidas efetivas no combate ao desmatamento da floresta amazônica. Entre os signatários, estão Alemanha, França e Reino Unido. O recado é direto: a devastação dificulta o comércio entre os países.

A sociedade civil organizada tentou repetidas vezes conter o ímpeto destruidor de Ricardo Salles e sua obsessão pela exploração a qualquer custo dos recursos naturais. Recentemente, um grupo de doze Procuradores da República pediu o afastamento de Salles do ministério do meio ambiente. Na petição, alegam que ele não cumpre o seu dever constitucional de zelar pelo meio ambiente, solicitando seu afastamento por improbidade administrativa. A ação, julgada em 14 de outubro, foi negada. Salles segue livre para passar a boiada e destruir o meio ambiente.

Sua mais nova investida nesse sentido trata-se de um retardante para incêndios que, em caso de aplicação, exige a suspensão do consumo da água, caça e pesca, além de frutas e outros vegetais, das áreas em que o produto seria aplicado. Com a desculpa de implementar medidas contra o fogo, Salles pretende contaminar a região com produtos químicos sabidamente tóxicos para a fauna e flora, sem falar humanos. Uma sandice e prova inequívoca de sua incompetência.

O Brasil, sua biodiversidade e gente não podem seguir reféns da necropolítica que paulatinamente mata nossas florestas, rios e povos. Os incêndios, devastadores, não são obra do acaso, mas frutos do abandono da fiscalização e ações de prevenção ditadas pelo ministério do meio ambiente. Afastar Ricardo Salles é garantir a sobrevivência da nação brasileira

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