O que a França diz ao Brasil?

Le Pen e Macron no segundo do turno, novamente é a hegemonia do voto anti-establishment. Tendência nas grandes economias. Le Pen dispensa apresentação. Macron é jovem, vem do mercado (banqueiro) e tem quase nenhuma experiência política

Le Pen e Macron no segundo do turno, novamente é a hegemonia do voto anti-establishment. Tendência nas grandes economias. Le Pen dispensa apresentação. Macron é jovem, vem do mercado (banqueiro) e tem quase nenhuma experiência política
Le Pen e Macron no segundo do turno, novamente é a hegemonia do voto anti-establishment. Tendência nas grandes economias. Le Pen dispensa apresentação. Macron é jovem, vem do mercado (banqueiro) e tem quase nenhuma experiência política (Foto: Leopoldo Vieira)

Le Pen e Macron no segundo do turno, novamente é a hegemonia do voto anti-establishment. Tendência nas grandes economias. Le Pen dispensa apresentação. Macron é jovem, vem do mercado (banqueiro) e tem quase nenhuma experiência política.

A esquerda moderada (Partido Socialista/Hollande) prometeu empregos e entregou desemprego, prometeu política tolerante de acolhimento aos imigrantes (uma é parte da solução da outra, não?) e entregou baixa segurança com retórica da extrema-direita pensando em se apropriar dela. Levou uma corsa.

Enquanto a esquerda radical filosofou, a extrema-direita fez propostas concretas ao coração dos mais pobres e trabalhadores, com dialeto sentimental no ponto para quem experimenta uma crise econômica grave: o inimigo externo, a tradição interna, o medo, a raiva e o ódio.
Agora, a esquerda moderada, a esquerda radical e a direita democrática terão de apoiar o liberal Macron contra o 'mal maior': Le Pen (que tem torcida do 'herói' Putin, de Trump e de Thereza May).

Como registro, vale lembrar que quando no período entre guerras, liberais, social-democratas e comunistas resolveram se acusar e se combater, terminaram abrindo alas para a extrema-direita vencer nas barbas da democracia liberal - é verdade, implodida pelo fundamentalismo do liberalismo econômico daquela época.

Só a derrotaram quando formaram uma aliança militar.

No pós-gerra, a tácita 'coexistência pacífica' ou 'guerra fria' entre ambos, ao menos na Europa, permitiram a consolidação do welfare state, o boom econômico (no Oeste) e sair da Idade Média (no Leste). Nos EUA, os liberais encontraram um eficiente caminho, o New Deal, que fundou o social-liberalismo do Partido Democrata, que o tornou o guarda-chuva do progressismo, sobretudo após o macartismo marginalizar as antigas organizações socialistas e comunistas referenciadas em teóricos europeus (Marx, Lenin etc). Não se pode dizer que a conta ficou barata, no Leste Europeu e URSS, para os liberais.

Fato é que a lógica e o pragmatismo do New Deal viria muito a calhar para o mundo hoje, já alertaram estudiosos do próprio FMI.
Um pouco do que prometeu e não entregou Hollande, e do que tenta, com calma, Tsipras.

O que farão liberais, social-democratas e comunistas no contexto hodierno, muito semelhante aos anos 30?
Vale mirar o consórcio democrata-cristão/social-democrata de Angela Merkel, um dos mais bem sucedidos governos do mundo, e que pode continuar, quiçá, com um primeiro-ministro do Partido Social Democrata (SPD) agora encabeçando.

Não é bom esquecer, antes de rejeitar a hipótese, que Allende e Goulart só foram considerados e observados nos anos 90 e 2000. Se antes, poderiam ter sido evitados erros desnecessários da esquerda. Tal como Roosevelt deveria ter um mausoléu doutrinário mais frequentado e ecumênico do que ser apenas divulgado como alguém que safou os EUA do crash de 1929. O legado dele transcende Churchill na ode à democracia representativa e mostra aos Hayek, Friedman et alii, como se faz de um limão uma limonada, com sabor parecido à bebida ofertada por Obama e Lula em seus respectivos países.

Em suma: por aqui tem que ir para a frente aquela roda de viola do Instituto Lula/Fundação Perseu Abramo-Instituto FHC/Fundação Teotônio Vilela. E a Fundação Ulysses Guimarães tem que ser convidada. Ainda que só vá parte da diretoria. Antes que todos tenham que estar juntos contra um 'mal maior'. E ainda que não venha a ser o caso, o Brasil não repita, por ter antecipado algum nível civilizado de concertação, os impasses dos dias que seguem.

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