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Alex Solnik

Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)

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O que é bom para Cunha não é bom para os brasileiros

Brasília- DF- Brasil- 22/04/2015- Entrevistas- Presidente da Câmara, dep. Eduardo Cunha (PMDB-RJ) fala sobre a pauta da semana. Foto: Zeca Ribeiro/ Câmara dos Deputados (Foto: Alex Solnik)

Pensava eu – enquanto cortava o tomate para o molho da macarronada – que bom seria se o Cunha, num gesto inédito de generosidade, benevolência, contrição, amor à pátria, arrependimento cristão convocasse uma rede nacional de TV em horário nobre (nada com ele pode ser menos do que espetacular) e dissesse com aquela firmeza que lhe é peculiar, olhos nos olhos: "olha, meus amigos, eu cheguei à conclusão, depois de muito refletir que o pais está perdendo tempo e dinheiro com essa história de impeachment. Reconheço que ao autorizar sua abertura agi de modo irrefletido, no calor das emoções, tomado por um nefasto sentimento de vingança do qual finalmente me libertei. Confesso a vocês que jamais vi qualquer motivo para esse impeachment ser aberto, a presidente é honesta, e eu só o autorizei porque não aguentava mais o chororô da oposição. Me arrependo de tal fato. Além de não haver motivação, meu gesto, que eu jamais deveria ter tomado, acarretou perdas enormes à economia brasileira pelas quais me desculpo, inclusive admito que a alta abrupta do dólar se deve, em parte, ao clima instável e apocalíptico que o impeachment produziu no país. Colocando tudo isso na balança, somado ao fato de que não há votos suficientes na Câmara para derrotar o governo e, se por uma zebra isso acontecer o Senado irá salvá-lo, considero falta do que fazer continuarmos nesse debate estéril, nessa guerra sem quartel que só traz prejuízo ao bolso dos brasileiros. Tal como decidi abri-lo, também de forma monocrática estou neste momento retirando-o, e considero o impeachment uma página virada da história brasileira. Boa noite. Muito obrigado".

Não conto com a possibilidade de um dia vermos a cena na tevê. Ele jamais entrega os pontos. Volta atrás. Se arrepende. Não é da sua índole. O impeachment é o seu escudo para tentar se manter na sucessão presidencial. Sem o qual sua cabeça fica a prêmio. Vai continuar na dele, fazendo pouco da recessão, botando mais lenha na fogueira. O que pode ser ruim para os brasileiros, mas é bom para ele.

Afinal, exportador de carne enlatada que é, só tem a ganhar com dólar alto.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.