O que esperar de 2022?

Jornalista Rodrigo Vianna avalia que a Democracia seguirá em perigo, e a extrema direita seguirá viva. "O quadro decantado para 2022 indica a resiliência do bloco neofascista, com ramificações e dinheiro vindo inclusive do exterior", afirma

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(Foto: ABr | Stuckert)


Por Rodrigo Vianna 

Ciro rasgou a fantasia esta semana. Perdeu (mais) pontos junto ao eleitorado progressista que o apoiara em 2018, mas ganhou apoio de agroboys (Xico Graziano) e de certos "players" no jornalismo da terceira via (Vera Magalhães foi uma que se regozijou, em O Globo, com os ataques ciristas ao PT). Minha impressão: Ciro atrapalha Lula, mas não vai se viabilizar. Será usado pela direita tradicional. E descartado logo adiante.

Ciro, João Santana et caterva, no entanto, são apenas a espuma na superfície. Mais importante é observar o que esses movimentos significam: Lula não terá trégua, nem daqueles que supostamente se enquadram no "campo progressista", e muito menos entre os "liberais da terceira via antibolsonarista".

A pauta dos "problemas do governo Dilma precisam ser relembrados" é o novo coelho na cartola dessa gente, desesperada com a consolidação do quadro Lula x Bolsonaro.

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As pesquisas de setembro, mostrando um Lula quase imbatível, ao invés de trazer a centro-direita para conversar sobre uma "Frente Ampla com Lula", geraram movimentos claros entre os que pretendem representar a elite brasileira em 2022.

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Empresários (Natura/Itaú), jornalistas (Bial/Merval) e líderes partidários deram o tom do que virá. Ciro é apenas o mais afoito dentre eles.

Há outros sinais importantes a observar:

- a popularidade de Bolsonaro parou de piorar (ver última pesquisa Poder360);
- a oposição de esquerda manifestou dificuldades para organizar os atos do dia 15/11, o que aponta para o esgotamento do "Fora Bolsonaro".

Parece que, depois de 6 meses de defensiva do governo (obtida graças ao bom trabalho da CPI e à volta dos atos de rua a partir de Maio/Junho), e após o fracassado "golpe" do 7 de setembro, seguido do famosos acordão com Temer e com tudo, entramos agora numa fase de decantação política.

Sem CPI e sem rua, o período de Novembro de 2021 até Abril de 2022 será a fase dos acordos de bastidor e da arrumação dos palanques para a eleição. Fase também em que a economia pode dar algum alívio para Bolsonaro, desde que não tenhamos apagão e desde que o governo negocie um Bolsa Família renovado, que injete algum dinheiro no consumo.

Se esse for o quadro, chegaremos a meados de 2022 com um cenário eleitoral ligeiramente diferente do que temos agora. Lula seguirá favorito, até  porque a fome e o desemprego seguirão aí, mas ficará claro que a eleição não será o "passeio" imaginado por alguns mais afoitos na esquerda.

Bolsonaro tende a recuperar apoios e a consolidar um bloco conservador/neofascista antilulista. No mundo todo, os sinais são de resiliência do discurso de extrema-direita (vejam o que se passa no Chile, na França e mesmo nos Estados Unidos com o trumpismo fortalecido na oposição).

O quadro atual (Lula 45%, Bolsonaro 25%, Ciro 10%, Outros 10%), que permitiu a alguns sonhar até com a vitória do petista em primeiro turno, tende a se modificar.

Dadas as dificuldades de romper o cerco conservador ao lulismo nas camadas médias e altas da sociedade (e isso se reflete nas negociações partidárias: PSD/MDB, por exemplo, já emitiram sinais de que não irão com o petista num primeiro turno), eu apostaria numa eleição mais apertada, com Lula na faixa dos 40% e Bolsonaro em 30% ou 35% quando chegarmos à reta final de 2022.

Ciro, Datena, Moro, Eduardo Leite, Doria... Tudo isso, ao que parece, servirá também para fazer espuma, e para gerar pulverização de votos que garanta um segundo turno (lembremos que, mesmo no auge, o PT jamais ganhou em primeiro turno). 

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Só em setembro/outubro de 2022, as várias frações da classe dominante brasileira farão a opção final: irão se reagrupar sob a bandeira de um Bolsonaro "centralizado" pelo PP e o "mercado", ou negociarão com Lula, exigindo concessões e compromissos?

O quadro decantado para 2022 indica, de toda forma, a resiliência do bloco neofascista, com ramificações e dinheiro vindo inclusive do exterior.

A longa crise iniciada em 2008, no Ocidente, se agravou com a falta de projetos, com a pandemia e com a distopia social/política que ainda leva água para o moinho do neofascismo.

No Brasil, 2022 trará uma batalha dura. A Democracia seguirá em perigo, e a extrema direita seguirá viva. 

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Não é pessimismo. É o que indica a observação dos fatos - num Brasil e num Mundo ocidental em crise prolongada.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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