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Francisco Calmon

Ex-coordenador nacional da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça; membro da Coordenação do Fórum Direito à Memória, Verdade e Justiça do Espírito Santo. Membro da Frente Brasil Popular do ES

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O que está em disputa num perigoso jogo?

O Lula vem desempenhando o seu mandato de forma extraordinária, apesar do seu governo e de eventuais erros pontuais

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
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O Lula vem desempenhando o seu mandato de forma extraordinária, apesar do seu governo e de eventuais erros pontuais, como o da falta de recursos do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e também até o presente não ter restaurada a Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos.

Os três êmes (militares, mídia e mercado) inimigos históricos da democracia social, estão na ofensiva. Quando a Globo escala Miriam Leitão para bater em Lula, é a prova evidente de que estão temendo mais sucessos do governo na economia.

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Completamente cercado na estrutura do Estado por bolsonaristas de alto coturno, faz das triplas corações para acertar nas políticas sociais. Daí a importância que a Janja, independente do estilo, tem para o Lula.

Quatro presidentes das poderosas instituições brasileiras estão sob o poder dos adversários ideológicos da democracia social.

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Por ordem de radicalismo cito: Arthur Lira, o jagunço da chantagem, Roberto Campos, serviçal do capital financeiro, Luís Roberto Barroso, lavajatista raiz, Rodrigo Pacheco, ex-bolsonarista dos mais oportunistas e agora paredista no Senado.

Lira e Pacheco provocam a desarmonia entre os poderes.

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Não contar com o presidente da Câmara Federal, do Senado e do Congresso, do Banco Central, e do STF, tendo todos eles digitais no golpismo histórico, é viver sob a tensão de um fio de navalha.

O Arthur Lira é o mais explicito golpista do parlamentarismo de ocasião, do parlamentarismo sem aprovação da soberania popular, entretanto, os demais também simpatizam com essa caricatura presidencialista em que vivemos, fruto e obra do Bolsonaro, Lira, Pacheco, sob beneplácito do STF.

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Lira e Pacheco foram os donos do orçamento secreto. Com esse poder criaram feudos políticos, capazes de se manterem sem oposição às suas gestões e de fazerem seus sucessores, na perspectiva de uma dinastia funcional.

Lula também está, senão cercado, vulnerável em vários flancos do governo, ocupados por ex-bolsonaristas, do primeiro ao quarto escalão. E pelo quinta-coluna Múcio, ministro representante das Forças Armadas no governo, sempre pronto a propor o uso da GLO e com o isso trazer os militares para a ribalta. Eis o perigo implícito da GLO!

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A foto do anúncio da GLO pelo presidente Lula, mostra os militares pareados com os ministros do governo. Era tudo que eles não esperavam mais e aconteceu!

As polícias da Aeronáutica, Marinha e Exército, não dão segurança, causam medo vê-las em shoppings dos aeroportos ostentando metralhadoras.

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O que farão com metralhadora num shopping de aeroporto?

Metralhadoras dão rachadas, se usadas vão matar tanto mais que aqueles 257 tiros que mataram o músico Evaldo Rosa dos Santos e o catador de material reciclável Luciano Macedo.

Forças Armadas não são treinadas para fazer segurança em portos, aeroportos, shoppings, ou alhures, mas para enfrentar e matar o inimigo.

Portar metralhadores só assusta as pessoas e depõe contra o Brasil junto aos turistas.

Quem gosta de chegar num país e deparar com soldados armados de metralhadoras? E se esses soldados ficarem nervosos diante de um miliciano traficante? Vão apertar o gatilho de uma arma que solta rajadas de tiros sem muita direção? Quantos inocentes poderão ser atingidos?

Quando usada a GLO no passado, qual foi o resultado? Reduziu em que a insegurança pública no Rio?

As FFAA em termos de segurança não conseguem nem cuidar delas mesmas; seus aviões e caminhões já traficaram cocaína e armas; seus depósitos de armas e munições já sofreram furtos; pode ser que para os defensores da GLO seja um fetiche, para incautos, uma ilusão.

Voltando um pouco mais no passado, na época da ditadura, militares estiverem envolvidos com o tráfico de armas, com o jogo do bicho e com o Esquadrão da Morte, e esse período não foi passado a limpo, não houve justiça de transição. Preferem a chaga aberta em putrefação no tecido social à autocrítica e pedido de perdão à nação brasileira.

Quanto mais luzes da ribalta da política para a GLO, as Forças estarão menos voltadas para as suas funções primordiais e maiores as possibilidades de ouvirem as vivandeiras do golpismo.

Tristeza assistir o Lula ser desmentido pelos seus ministros.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em 27 de outubro que enquanto estiver no comando do país não será decretada uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). E foi lúcido ao dizer: “Quando você faz uma intervenção abrupta, os bandidos tiram férias. Quando termina a intervenção, eles voltam. Então, nós não queremos isso.”

E agora combinaram como os bandidos para não tirarem férias?

Entretanto, se o plano der certo e reduzir a insegurança pública, será que vamos ter uma GLO permanente, ou o que virá em seu lugar? E ainda: qual o efeito na sociedade se ao término, em maio, os meliantes voltarem de férias? Haverá uma nova GLO, continuada?

Admitindo, então, que essa GLO dê algum resultado, estar-se-á induzindo a sociedade a crer que a presença das forças militares deva prosseguir e talvez ampliá-la territorialmente?

Como os bandidos do tráfico não têm carteira assinada, podem entrar e sair de férias ao comando dos seus superiores políticos, portanto, estar-se-á introduzindo uma variável explícita e perigosa na política em geral e na especifica da segurança pública.

Para os bolsonaristas e militares golpistas será um prato para saborear, regado com aqueles vinhos, uísques, camarões, viagras, e outras mordomias que Bolsonaro irrigou, corruptamente, às três armas, notadamente o Exército.

Enquanto a justiça de transição não implementar todos os seus eixos no Brasil e as FFAA não se redimirem diante da nação de suas atrocidades e ilegalidades, não deveria ser protagonistas de nada além de suas funções essências e permanentes, muitas relegadas, essa deveria ser a política pedagógica a ser seguida.

Agrega a esse quadro de cerco a Lula aqueles ministros voltados mais para construir as suas candidaturas futuras a servir com lealdade ao governo Lula.

Próximo a completar um ano de governo e ainda não houve um mapeamento completo dos recursos humanos em funções de chefia da máquina pública e potenciais risco de sabotagem.

O Centrão dentro do governo e das instituições do Estado, bolsonaristas espalhados na máquina aparelhada pelo inelegível, o Congresso dominado pelo conservadorismo e reacionarismo, frente a esse quadro o que temos no contraponto?

Quais partidos e lideranças da ampla frente eleitoral e ampliada no governo fazem o enfretamento aos adversários?

O PT e notadamente Gleisi e Lindberg, Dino e Alkmin (menos), pelo PSB, Boulos, pelo PSOL, quem mais? Há outros que fazem ressaltando mais os erros do que os acertos e há os que fazem com luvas de veludo.

Quando Lula cede ao chantagista Lira, nos causa indignação, não porque não possa ceder a um chefe de outro poder, mas pela razão de estar normalizando esse “parlamentarismo” e fortalecendo, na atualidade, um dos mais corruptos políticos e inimigos do povo.

Lula sem apoio mais assertivo dos partidos de esquerda e sem mobilizar a sociedade, tende a continuar a ceder, portanto, a indagação é: até quando e até quanto?

A correlação de forças é muito desigual e sem o povo organizado e atuante, é como se diz “tem que matar um leão a cada dia”.

Nessas próximas eleições municipais iremos aferir se as alianças progressistas se manterão unidas ou haverão fissuras que comprometerão o enfretamento às forças neofascistas?

Os presidentes dos partidos democráticos já começaram a dialogar com o propósito de construir uma estratégia comum? Ou vão no improviso municipal e amadorismo de sempre?

Vamos lembrar, por exemplo, o tanto que o secretário-geral do PSB, Renato Casagrande, atrapalhou à aliança pró candidatura do Lula.

E não foi surpresa, afinal, estendera tapete de veludo para Sergio Moro, contudo, foi ingenuidade achar que ele como governador e dirigente do PSB se converteria em progressista e facilitaria a vida do seu partido no apoio à candidatura do Lula.

Durante as eleições manteve um pé em cada candidatura e o desempenho da chapa PT/PSB no Espirito Santo foi sofrível, 58% votaram no genocida.

Não digo que traidores devam ser empurrados para as linhas adversárias, todavia, ressalto que devam ser tratados com a cautela necessária diante dos seus pretéritos de deslealdades, e não se deve passar pano e fortalecê-los como muitos pragmáticos preferem por conta de interesses pessoais.

O que está em jogo é mais do que o governo atual, é o para onde o Brasil vai?

São muitas as incertezas no mundo e no caminho do nosso país e poucas são as certezas.

Segundo a Carta Magna o poder emana do povo. Segundo o jagunço da chantagem o poder emana dele e do Centrão.

Lula está de saúde renovada, nova idade, e mais atento a situação interna, por isso, quero crer que irá dar um freio de arrumação para o próximo ano com vistas a 2025, quando haverá mudança de comando na Câmara, no Senado e no Banco Central.

O próximo ano, 2024, 60 anos do golpe de 64, com as eleições municipais, será a travessia para traçar o norte para onde o Brasil vai.

Dependendo da performance eleitoral das forças democráticas de esquerda haverá reflexo imediato no Congresso e na composição do governo.

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