O que tem Gilmar Mendes que os outros não têm?

Por que somente o ministro Gilmar pode falar, aparentemente informalmente, pela cúpula do Poder Judiciário e juízes como José Roberto Barroso ou Marco Aurélio Mello não o podem? Por que somente Gilmar transita livre e hiper amistosamente com um Governo cujo chefe e boa parte de seu ministério se encontra encalacrado em dezenas de denúncias no âmbito das delações premiadas da Odebrecht?

Bras�lia - o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, fala aos jornalistas sobre elei��es 2016 (Jos� Cruz/Ag�ncia Brasil)
Bras�lia - o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, fala aos jornalistas sobre elei��es 2016 (Jos� Cruz/Ag�ncia Brasil) (Foto: Daniel Quoist)

Gilmar Mendes tanto fez e tanto disse que hoje é a única autoridade onipresente do Brasil. Ele emite opinião sobre tudo, de jogo de castanhas de caju até a separação de caixa 2 de caixa 2. Gilmar se assemelha ao ar que respiramos, está por toda parte, sai do STF à tardinha de sexta e já no domingo aterrissa no Palácio do Jaburu para confraternizar com o inquilino Michel Temer. E inicia a semana brandindo teses as mais disparatadas, do tipo "se Temer for cassado pelo TSE o Congresso Nacional pode devolvê-lo de volta ao Palácio do Planalto", "há que se separar dinheiro de caixa dois para enriquecimento pessoal daquele usado sorrateiramente para campanha eleitoral".

A pergunta que não quer calar:

O que Gilmar Mendes tem que os outros ministros do STF não têm?

Por que somente o ministro Gilmar pode falar, aparentemente informalmente, pela cúpula do Poder Judiciário e juízes como José Roberto Barroso ou Marco Aurélio Mello não o podem?

Outras questões também se avolumam: Por que somente o ministro Gilmar Mendes transita livre e hiper amistosamente com um Governo cujo chefe e boa parte de seu ministério se encontra encalacrado em dezenas de denúncias no âmbito das delações premiadas da Odebrecht?

Por que nenhum de seus pares se sente minimamente incomodado com tão exótico, contraditório e açodado protagonismo de uma toga que deveria se ater à famosa imparcialidade que tão bem caracteriza os juízes mais conceituados e renomados ao longo da História?

Sabemos que o único juíz que se atreveu a contradizer Mendes e devolver a ele as aleivosias que ele costumava lançar sobre seus demais pares foi o hoje aposentado ministro Joaquim Barbosa e, desde então, é como se a Corte Suprema do Brasil passasse a ser integrada por outros dez sósias do ministro Gilmar.

Chega a causar espanto que o nível de hipocrisia no STF pudesse alcançar tal nível de acinte a uma Casa de Justiça que deveria zelar pela boa administração da justiça, pela defesa dos ideais republicanos entesourados em nossa Constituição.

Que lição nosso STF está dando aos milhares de jovens acadêmicos de Direito país afora, numa época turbulenta como a que vivemos, onde o partidarismo político mostra-se escandalosamente presente nas falas, visitas, atitudes e ações de um ministro como Gilmar Mendes?

É vergonhosa a história que o STF está escrevendo, seja pela prática usual de dois pesos e duas medidas, como a recente decisão de manter com foro privilegiado o ministro Moreira Franco, sobre quem pesam tantas suspeitas de corrupção e, nem faz mesmo um ano em que o ex-presidente Lula simplesmente foi impedido de assumir um ministério no democrático governo anterior em situação exótica e com contornos bastante similares - a busca do foro privilegiado.

Outra questão importante que habita a cabeça de dez entre dez juristas brasileiros: por que no Brasil atual ter acesso a foro privilegiado, julgamento no STF, assemelha-se a ganhar bilhete premiado da mega sena? Não seria porque a população - e os políticos à frente - entendem que ser julgado no STF significa não ser julgado, ver tudo se protelado ad infinitum, crimes prescreverem e justiça por tardia nunca se consumar?

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