O Quinto G

Ao ultrapassarmos a "velocidade da luz" com o 5G teremos pela frente um dilema: como se dará a relação ética e moral entre nós e as máquinas inteligentes programadas por algoritmos. Como iremos garantir os direitos mais elementares da nossa privacidade, identificar os crimes cibernéticos e puni-los?

(Foto: Reuters)
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Por Florestan Fernandes, para o Jornalistas pela Democracia - Como diz meu amigo Marcelo Simões, vivemos no tempo do 4G. Gês que representam a falta de generosidade, gentileza, gratidão e graça. Agora, norte-americanos e chineses disputam qual dos dois vai dominar a infraestrutura real para o 5G. Com certeza, o gê da ganância pelo dinheiro e pelo poder está chegando com o controle da vida e da mente de bilhões de usuários de smartphones em todo o planeta.

Um futuro que pode trazer coisas bem piores do que as das fakenews enviadas pelo WhatsApp, que ajudaram a eleger Bolsonaro e tantos outros fascistas pelo mundo. Com o 5G, trilhões de dispositivos estarão conectados permanentemente a uma rede que vai muito além dos aplicativos que povoam as telas dos atuais smartphones. O quinto gê vai mudar a forma com que usamos a internet. Além de mais rápido que o wifi das nossas casas, ele vai nos monitorar, conectando-nos não só com pessoas, mas também com as coisas que nos rodeiam e fazem parte do nosso dia a dia: carros autônomos, robôs, drones, lâmpadas, microondas, cafeteiras e qualquer objeto ligado à rede elétrica.

Como alerta a quarta lei da segurança cibernética: “Com a inovação, vem a oportunidade de exploração”. Todos os dados registrados pelo celular poderão ser enviados para um "receptador", palavra que no dicionário significa: aquele que recolhe, guarda ou esconde coisas roubadas por outrem ou subtraídas aos direitos fiscais. Informações sigilosas, como mensagens de texto, bate-papos em vídeo, fotos, e-mail etc, poderão ser subtraídas on-line e colocadas à disposição de empresas privadas e agências de inteligência de países poderosos. 

A ganância pelo controle dessas informações levaram o governo dos Estados Unidos a ameaçar com retaliações os países aliados que aderirem à instalação da infraestrutura de 5G fornecidas pela chinesa Huawei. E não é pra menos. O quinto gê pode se transformar num monstruoso problema para a segurança cibernética das grandes corporações privadas ou de órgãos importantes de Estado. Quando uma operadora de telefonia celular disponibilizar conexões à internet de alta velocidade para qualquer computador, muitas corporações poderão aposentar as atuais redes tradicionais mais lentas e caras pelo armazenamento das informações críticas em nuvens. 

Ganhar tempo e aumentar a produtividade, mais do que nunca é necessário e frutífero. Mas ao ultrapassarmos a "velocidade da luz" com o 5G teremos pela frente um dilema: como se dará a relação ética e moral entre nós e as máquinas inteligentes programadas por algoritmos. Como iremos garantir os direitos mais elementares da nossa privacidade, identificar os crimes cibernéticos e puni-los?

Ética dos humanos ou ética dos transhumanos? Será que vamos conseguir nos defender como sociedade das manipulações e controles de massa que se colocam cada vez mais nas mãos de poucos? Essas são questões fundamentais que deveriam ter sido equacionadas lá atrás, quando já se vislumbrava todo o potencial poder invasivo das ferramentas introduzidas na era digital.  

Uma boa e uma má notícia. A má é que não iremos solucionar essas complexas questões e assim ficarmos mais livres e tranquilos. A boa é que os cinco gês não precisam de nenhuma nova tecnologia para serem usados, praticados e compartilhados. Generosidade, gentileza, graça, gratidão e grandeza.

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