O racismo e a desumanização da juventude negra

Em nosso país, o racismo atravessa as relações sociais, mas também perpassa as instituições, tanto as públicas quanto as privadas. Por aqui, as instituições são alérgicas ao povo negro

O racismo e a desumanização da juventude negra
O racismo e a desumanização da juventude negra (Foto: Marcelo Casal Jr - Câmara)

Durante muito tempo, propagou-se o mito de que não há racismo no Brasil. A chamada democracia racial foi sempre um dos principais argumentos para justificar essa afirmação. Nosso país teria, assim, passado ao largo da discriminação racial contra os negros, vista somente nas demais sociedades. 
 
Mas o racismo não apenas existe, como se manifesta dos modos mais variados e perversos. E, seja de forma direta, ou de maneira mais velada, a discriminação racial é um fator fundamental para a compreensão da desigualdade social no Brasil.
 
Em nosso país, o racismo atravessa as relações sociais, mas também perpassa as instituições, tanto as públicas quanto as privadas. Por aqui, as instituições são alérgicas ao povo negro. No que se refere à segurança pública, por exemplo, a população jovem e negra é a maior vítima da violência urbana. O número de negros mortos pela polícia é três vezes maior que o número de brancos.
 
A letalidade policial é substancialmente maior em relação à população negra. E, até aqui, o que se vê é o crescimento de uma perspectiva de segurança pública baseada na repressão e na resposta violenta. São jovens violentados pela falta de acesso à educação, à saúde, a moradias dignas, à cultura, que têm suas vidas ceifadas por balas de fogo de policiais e de traficantes todos os dias.
 
Ocorre que uma sociedade que afirma cinicamente a “inexistência do racismo” acaba promovendo a impunidade dos atos discriminatórios, a invisibilidade, o silenciamento e o genocídio da população negra. Nossa juventude sofre cotidianamente, nas periferias do país, os efeitos da ausência de políticas públicas de promoção da igualdade racial. Além disso, é possível observar um infeliz processo de desumanização da juventude negra promovido pelo Estado brasileiro.
 
Temos nossa humanidade negada quando a cor da pele é o único fator relevante para sofrer a violência policial nas ruas, ou para ocupar os piores postos de trabalho – ou ser a maior parcela de desempregados – e, assim, continuar ocupando a base da pirâmide social. Nesse sentido, é possível afirmar que a desigualdade social no Brasil é uma questão racial. Os direitos humanos mais básicos nos são paulatinamente negados, e essa é a principal “política pública” que nos é endereçada. A perversa política que tenta nos desumanizar.
 
Segundo o Atlas da Violência (2017),  23.100 jovens negros são assassinados por ano no Brasil. Isso equivale a dizer que um de nossos jovens, entre 15 e 29 anos, é morto a cada 23 minutos. Trata-se de um extermínio sistemático de nossa gente. É evidente que esse cenário só será minimizado quando o poder público deixar de ser ou omisso, ou protagonista desse processo. Devemos ocupar cada vez mais os espaços de poder, a fim de repensar essa lógica perversa que dizima a nossa cultura e a nossa gente. Queremos nossos meninos e meninas vivos! Jovem negro vivo!

 

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