O Real e a real

O que era pra ser uma festa bonita no Congresso Nacional virou um palanque eleitoral atemporal e gratuito

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Nesta semana, mais precisamente dia (25), completaram-se 20 anos do Plano Real. Uma moeda que "deu certo" graças aos erros de planos anteriores como o Cruzado I e II. Em outras palavras, o ex-presidente José Sarney pode se considerar avô materno desse plano. Controvérsias à parte, este foi o único plano com "dois pais", ou melhor, um pai Itamar Franco e um padrasto Fernando Henrique Cardoso. Essa sina de paternidade real persegue esses dois ex-presidentes até hoje, fato que é motivo de muita discussão e que talvez o sr. Itamar deva estar se revirando em seu túmulo, de tanta raiva nesse momento.

Se o Real fosse uma "moeda fraca", apesar de o dólar valer quase o dobro e meio, e o euro quase o triplo e meio, e não garantisse uma "estabilidade econômica" ao Brasil nesses últimos 20 anos, ninguém ia querer carregar esse mérito de paternidade biológica. Será que teremos de desenterrar o mineiro Itamar para fazermos um verdadeiro teste de DNA?

Confesso que não sou um Sardenberg, nem Míriam Leitão e muito menos um Franklin Martins da vida, mas tenho acompanhado o esforço do Brasil em conter a inflação (que bate no teto, segundo analistas) para tentar estabilizar a economia. Claro que se discutirmos essa questão a fundo, vou perder de W.O.

"O Real é uma obra inacabada. Isso ajuda a explicar por que o Brasil enfrenta o risco de rebaixamento pelas agências de classificação de risco em 2014. O Brasil está numa situação bastante razoável.... (sic). Nosso deficit fiscal é 3% do PIB, nossa dívida é 60% do PIB. Nada disso é trágico. Mas a perspectiva é ruim", disse o ex-ministro da Fazenda Antonio Delfim Neto à Folha de São Paulo no dia 11 de fevereiro de 2014.

E para justificar o que disse ele completou: "O câmbio está flutuando. O mercado fez o que o governo estava acovardado. O câmbio subiu porque o mercado impediu que o governo continuasse a usá-lo como instrumento de combate à inflação. Esse câmbio destruiu o setor industrial brasileiro." Uma análise de quem sabe realmente o que está falando, não é mesmo?

Voltando ao aniversário do Real, o que era pra ser uma festa bonita no Congresso Nacional virou um palanque eleitoral atemporal e gratuito. Aproveitando os 15 minutinhos de mídia, o pré-candidato à presidência pelo PSDB, Aécio Neves, falou em tom de campanha: "A nova moeda entrou em circulação sob o agouro de pescadores de águas turvas que o classificavam de estelionato eleitoral. Como teríamos eleições presidenciais em alguns meses, o recado dos adversários era claro: não lhe interessava o sucesso do plano." E disse mais ainda que "12 anos de governo do PT levaram o Brasil a mergulhar em um ambiente de desesperança e descrença no futuro", inclusive com riscos à estabilidade da moeda. "Colaboram para levar o país a retrocessos impensáveis a essa altura da história. Vão-se nossas melhores empresas públicas, sucumbe o BNDES, humilha-se a Petrobras", segundo informou a nossa querida mídia eletrônica.

Aécio não mentiu, mas também não disse que FHC vendeu o País ao capital estrangeiro quando foi presidente da República, e que o obscurantismo dessas ações agora é que estão vindo à luz. Ou seja, estão reaparecendo quase 20 anos depois.

Após o concorrido palanque tucano, os petistas ofendidos subiram à tribuna para rebater as críticas ao governo. "Essa tendência de desmerecimento (ao PT) não faz jus à postura de Lula e do PT de apoio ao Real nove anos depois (a partir de 2003), de salvar e resgatar o Plano Real, reafirmando os pressupostos macroeconômicos", disse em alto e bom som a ex-ministra e pré-candidata ao governo do Paraná Gleisi Hoffmann (PT-PR).

Pois bem, diante de tudo isso, fica claro que o Real e sua continuidade fizeram um certo crescimento econômico brasileiro, a tal ponto que o levou a integrar cúpulas e grupos internacionais importantes. Fez mais ainda, colocou o País num lugar privilegiado de emergente econômico referência mundial. Mas infelizmente, tucanato, tudo isso não foi obra exclusiva de um só partindo, nem tão pouco de um só governo. E que uma coisa fique bem clara aos mais incautos: "Quem tem telhado de vidro, que não jogue pedra na casa do vizinho".

Nenhum governo e nenhuma nação dirige um país sozinho, a não ser que eles vivam numa eterna ditadura. #PorUmBrasilMelhor

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