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Ricardo Bruno

Jornalista político, apresentador do programa Jogo do Poder (Rio) e ex-secretário de comunicação do Estado do Rio

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O recado que o ex-ministro Dornelles fez chegar a Lula

Segundo Ricardo Bruno, Francisco Dornelles sugeriu a Lula se antecipar à escolha dos chefes militares e abortar assanhamento dos comandantes bolsonaristas

Francisco Dornelles e Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: ABr | Pedro Gontijo/Senado Federal)

Por Ricardo Bruno 

(Publicado no site Agenda do Poder)

Em conversas com interlocutores assíduos do presidente Lula, o ex-ministro Francisco Dornelles tem rememorado um episódio singular da gênese da Nova República. À guisa de informação, ele repete a história que resultou na escolha dos ministros militares de seu tio, o presidente Tancredo Neves. Revestido de prudência e cautela, o movimento esvaziou antecipadamente  os poderes do comando militar de Joao Figueiredo, o último general do ciclo ditatorial.

 Certo da vitória no colégio eleitoral em 15 de janeiro de 1985, Tancredo escolheu a tríade de ministros militares antes mesmo do resultado da eleição indireta ser proclamado. Num ato de mineirice explícita, desejava esvaziar  especialmente o ministro do Exército Walter Pires, que à  época dava sinais de descontentamento com a nova ordem vigente.

 De imediato, anunciou o general Leônidas Pires Gonçalves, no Ministério do Exército; o Brigadeiro Moreira Lima, na Aeronáutica; e o  almirante Henrique Sabóia, na Marinha. O anúncio retirou, de chofre, o poder dos comandantes que  experimentavam o ocaso dos anos de chumbo.

No dia da posse de José Sarney, eram fortes os rumores de que Walter Pires iria tentar impedir  o ato. Internado, Tancredo mandou avisar ao militar insurreto de que ele já havia sido exonerado e já não comandava a tropa.

 A história já foi narrada a Lula como sugestão para se antecipar à escolha dos chefes militares e abortar qualquer assanhamento dos comandantes bolsonaristas. O presidente eleito, contudo, continua a achar desnecessário o movimento. Tem dito que ele próprio será o comandante-em-chefe das Forças Armadas, razão pela qual não haveria razões para a antecipação.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.