O retorno do filho da senhora Oniva

Trinta e oito anos depois do retorno de Leonel Brizola verificamos a sua importância na história e a falta que hoje nos faz. Viveu sempre como um cavalo inglês. Morreu na cancha, mas deixou um dos mais impactantes legados ao trabalhismo e ao povo. Nunca renunciou seu ideal, nunca traiu o povo

Leonel Brizola 
Leonel Brizola  (Foto: Henrique Matthiesen)

Nada, absolutamente nada, foi mais intenso em sua plenitude do que o sentimento pátrio. Essa concepção derivada do latim, que indica a terra natal, os lastros afetivos, o enraizamento cultural para o filho da Senhora Oniva.

Vítima de suas convicções, dentre elas, a de lutar bravamente pela emancipação do seu povo, pela justiça social, pela educação libertária, e pela soberania nacional, provocou a ira das elites desnacionalizadas que o Brasil produziu.

Agredido em seu cerne foi obrigado à expatriação forçada, tornando-se uma espécie de apátrido, pois não podia mais permanecer e lutar pelo seu tão valioso país, não podia mais pelejar pelo seu povo dentro de seu território.

O sonho libertário, o progresso desenvolvimentista das Reformas de Base, a inevitável ascensão à presidência da república, foram substituídos por um período obscurantista para o Brasil e de exílio para os que ousaram mudar nosso atraso social.

Leonel de Moura Brizola, o menino de Cruzinha, o filho de José de Oliveira Brizola e de Oniva de Moura Brizola, foi forçado a deixar sua pátria porque as forças do retrocesso e a brutalidade da direita antidemocrática tomaram o poder via golpe de Estado.

O amargo período longe do Brasil moldou o filho da Senhora Oniva sem mudar seus princípios, seu caráter, seus sonhos. Sua raiz profunda o manteve intacto no que lhe fora, durante sua existência o mais caro, seu amor pelo povo Brasileiro, seu ideal de soberania.

Exilado, primeiramente no Uruguai, aglutinou a resistência contra o regime de exceção. Foi voz forte na trincheira trabalhista. Perseguido, caluniado, vilipendiado em sua honra, não se dobrou, não se curvou, não titubeou.

Com o golpe militar no Uruguai em 1973, associado à pressão do governo golpista do Brasil, Brizola é expulso de lá; entretanto, com o apoio do então presidente Jimmy Carter, encontra nos EUA um novo refúgio.

A convite de Mario Soares mudou-se para Portugal onde ficou até 1979. Com a abertura promovida pelo regime de exceção no Brasil projetou seu retorno, organizou seus companheiros de sonho e promoveu, em junho daquele ano, o conhecido encontro de Lisboa, com o objetivo da retomada do fio condutor da história e o velho PTB de Getúlio Vargas e João Goulart.

Em 06 de setembro de 1979, o filho da Senhora Oniva desembarca finalmente em sua pátria, em sua terra. Pisa firmemente seu solo e vai direto reencontrar seus líderes e quantos outros que influenciaram em sua vida. Corre a São Borja, no Rio Grande do Sul, prestar homenagens a Vargas e Jango. Afinal, Brizola tem em suas digitais a coerência, a fidelidade idearia.

Trinta e oito anos depois do retorno de Leonel Brizola verificamos a sua importância na história e a falta que hoje nos faz.

Viveu sempre como um cavalo inglês. Morreu na cancha, mas deixou um dos mais impactantes legados ao trabalhismo e ao povo.

Nunca renunciou seu ideal, nunca traiu o povo.

Viva, Leonel Brizola, o filho da Senhora Oniva.

 

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