O Rio de Janeiro e as eleições de 2020

Precisamos de um programa democrático e participativo de reconstrução social e econômica da cidade, com investimentos em iniciativas de economia solidária e de geração de empregos

(Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados)
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Nos aproximamos de uma eleição inédita, que se dará em meio à maior crise sanitária, política, social, econômica e humanitária da história. Temos um governo genocida, negacionista e extremamente elitista, que se aproveita da pandemia para avançar na pauta ultraliberal, no desmonte do estado social e no ataque a direitos e às populações mais vulneráveis, enquanto dissemina o ódio, a mentira e a desobediência às medidas que protegem a vida.

O golpe contra a presidenta Dilma Rousseff e a atuação política da operação Lava Jato, usada como instrumento para impedir a candidatura do presidente Lula, abriram as portas para o fascismo e para uma gestão autoritária, incompetente, vingativa, manipuladora e que se ufana da própria ignorância. Aos danos políticos, sociais, trabalhistas e humanos soma-se a degradação econômica, com o desmantelamento da indústria nacional, a privatização desenfreada e a geração recorde de desemprego e de trabalho precário.

Se, hoje, vemos um desgaste de Jair Bolsonaro, não podemos esquecer que esse é um desgaste personificado na figura do presidente, não ao seu programa de governo, eleito com o apoio e a cumplicidade do empresariado, da mídia hegemônica e do capital internacional, usando como arma política a Lava Jato, já desmascarada como instrumento de ataque à soberania brasileira.

Nesse cenário, a cidade do Rio de Janeiro merece uma atenção particularíssima, por ser o celeiro do fascismo miliciano que devasta o país, berço de Marcelo Crivella, Wilson Witzel e Jair Bolsonaro, além de uma enorme quantidade de parlamentares identificados com a mais desumana agenda do ultraliberalismo e do retrocesso.

As imagens feitas no Leblon, em que pessoas debocham da pandemia e das medidas de segurança, mostram uma elite individualista e descompromissada. A voz que debocha da Covid-19 e do uso de máscaras ecoa o “E daí?” de Bolsonaro.

O Rio, mais do que uma cidade partida, é uma cidade fragmentada, com uma parcela significativa da nossa população contaminada pelo discurso bolsonarista. Quando Bolsonaro e Crivella autorizam a abertura precoce e sem planejamento da cidade, estão dando o aval para essa população sair às ruas sem qualquer respeito à coletividade.

É nesse cenário espinhoso que nós, do Partido dos Trabalhadores, enfrentaremos as eleições municipais, com o desafio de liderar um projeto capaz de resgatar o sentido de coletividade e a esperança e de nos tirar do isolamento no qual a direita tenta encurralar a esquerda. É fundamental debater com a sociedade um programa que simbolize uma firme resposta ao fascismo, mas que também abrace soluções para os problemas cotidianos que tanto afetam e desgastam a confiança do eleitorado carioca. Precisamos de um programa democrático e participativo de reconstrução social e econômica da cidade, com investimentos em iniciativas de economia solidária e de geração de empregos e, especialmente, na recuperação dos sistemas públicos e na solução dos nossos graves problemas de Educação, Saúde, Cultura, mobilidade urbana, das favelas, de moradia e da população em situação de rua.

O novo coronavírus deu visibilidade às deficiências estruturais de uma cidade construída a partir de políticas urbanísticas fundamentadas no pensamento higienista e na especulação imobiliária, com a remoção dos mais pobres para regiões sem infraestrutura e sem potencial de desenvolvimento econômico. Hoje, o Rio concentra mais de 700 favelas, com uma população de quase 1,6 milhão de pessoas. O vírus avança nessas localidades, como resultado da interação entre uma organização espacial baseada na aglomeração, a falta de saneamento básico, o desemprego e a ausência de políticas públicas efetivas.

A gravíssima crise sanitária ultrapassa o novo coronavírus e tem como cúmplice o prefeito Crivella, que, em fevereiro, iniciou o desmonte das UPAs e Clínicas de Família, demitindo mais de 5 mil profissionais das equipes de Atenção Básica de Saúde, atendendo a uma recomendação do necrogoverno de Bolsonaro.

Não podemos permitir que esse mesmo Crivella, com o apoio de Bolsonaro, polarize a disputa com Eduardo Paes, que se aproxima do Deputado Estadual Rodrigo Amorim (PSL) – o mesmo que quebrou a placa com o nome de Marielle Franco. Eles são artífices dos problemas da cidade.

Infelizmente, não foi possível construir uma candidatura de unidade da esquerda, pela qual eu e vários companheiros e companheiras tanto lutamos. O PT lança, então, o nome de Benedita da Silva, uma mulher profundamente identificada com as dores e demandas da maioria do povo. Por sua longa e reconhecida trajetória de luta. Benedita é a garantia de dialogarmos com a sociedade sobre questões como a Democracia, o avanço do fascismo, os danos causados pelas políticas nacionais no âmbito do município, a defesa de direitos e do estado social, a viabilidade de políticas públicas de inclusão e tantos pontos hoje criminalizados no debate político. Precisamos eleger Benedita da Silva e também uma expressiva bancada de vereadores e vereadoras capazes de enfrentar o avanço das forças reacionárias, defender a democracia e o estado social e reafirmar o protagonismo do nosso partido nas lutas em defesa da população.

Com determinação e resistência democrática, podemos reinventar e inventar novos caminhos diante do caos instalado em nossa cidade. Com Benedita, vamos consolidar um programa de recuperação da cidade, degradada pela gestão Crivella, e que ecoe no Brasil um firme posicionamento contra o avanço de um autoritarismo calcado em toda a sorte de preconceitos, que criminaliza pobres, negros, mulheres, homossexuais, opositores, estrangeiros, diferentes.

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