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Gilvandro Filho

Jornalista e compositor/letrista, tendo passado por veículos como Jornal do Commercio, O Globo e Jornal do Brasil, pela revista Veja e pela TV Globo, onde foi comentarista político. Ganhou três Prêmios Esso. Possui dois livros publicados: Bodas de Frevo e “Onde Está meu filho?”

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O risco de se apostar todas as fichas em Mourão

"Mourão presidente será uma solução ou um problema? Por maior que seja o frenesi em tirar Jair Bolsonaro da cadeira que ocupa e de onde despacha como presidente da República – no caso, nesses dias, da cama hospitalar -, não dá para garantir que a democracia brasileira esteja salva com a ascensão do vice-presidente", analisa o jornalista Gilvandro Filho, do Jornalistas pela Democracia; "É bom ter calma. Pelo conjunto da obra, apostar no general pode não ser a melhor saída democrática para uma crise institucional. E a mudança do governo, pelas personagens em tela, pode sair mais cara que a encomenda"

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Por Gilvandro Filho, para o Jornalistas pela Democracia - Mourão presidente será uma solução ou um problema? Por maior que seja o frenesi em tirar Jair Bolsonaro da cadeira que ocupa e de onde despacha como presidente da República – no caso, nesses dias, da cama hospitalar -, não dá para garantir que a democracia brasileira esteja salva com a ascensão do vice-presidente. Será o general Hamilton esse presidente com o qual já sonham apressadinhos de vários matizes, inclusive rubros?

Como o santo é de barro, a prudência e o lombo já lanhado de outras eras pede cautela. Frases e posicionamentos recentes do militar até animam. Não se pode dizer, para citar um exemplo mais recente, que a posição que tomou no caso da renúncia (e denúncia) do deputado federal Jean Wylys tenha sido ruim. Pelo contrário, ao bater de forma rápida e forte na truculência nata de Bolsonaro e dos seus primeiros-filhos, que não perderam tempo em comemorar o fato nas redes sociais, Mourão cresceu aos olhos dos progressistas. Mas, daí a ser aceito no clube como um deles guarda uma distância boa e prudencial.

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Mourão foi ungido vice-presidente após os rumores pós-eleitorais falarem em nomes como a musa do impeachment, Janaína Pascoal (hoje deputada estadual em São Paulo) e o "príncipe" Luiz Phelipe, membro da "família real brasileira". Seu partido é o PRTB, que tem como líder nacional o eterno candidato Levy Fidélix, aquele mesmo homofóbico empedernido da campanha que chocou a candidata Luciana Genro e o País ao "comprovar a tese" segundo a qual não se gera vida pelo "órgão excretor".

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Bolsonaro queria na vice o general Augusto Heleno, hoje ministro-chefe do Gabinete Institucional e homem de maior confiança do presidente. Mas, Mourão acabou ganhando a parada porque o partido de Heleno, o PRB, não topou fechar formalmente a coligação com o bolsonarista PSL.

O atual vice-presidente pregou abertamente, em 2015, a destituição da então presidente Dilma Rousseff, pelo menos formalmente a comandante em chefe do Exército do qual ele faz parte. Chegou a dizer que a simples saída da presidente – o que ocorreria, mais tarde, com o impeachment – não seria suficiente. Mas não disse qual seria o castigo ideal.

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Em 2017, para uma plateia formada por maçons, chegou a defender uma intervenção militar como única saída para a crise política e institucional do País, caso o Judiciário não afastasse os "elementos envolvidos em todos os ilícitos". Não foi punido, mas teve a aposentadoria acelerada, após o episódio.

Durante a campanha, ao contrário do discurso progressista de hoje, as falas de Mourão foram bem alinhadas as do seu candidato a presidente. Duras e eivadas de referências aos "mitos" da ditadura militar.

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A Carta Capital lembrou, dia desses, que Mourão, no seu último discurso como general, no Comando Militar do Exército, citou como exemplo de "herói" da Pátria ninguém menos que o ex-chefe do DOI-Codi de SP, Carlos Alberto Brilhante Ustra. Dispensável qualquer explicação sobre Ustra, único militar brasileiro julgado e condenado por tortura e que morreu sem cumprir a pena.

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A guinada de Mourão veio com a posse. Rebateu por várias vezes falas do próprio presidente, como no caso já citado de Jean Wylys. Entrou em guerra velada contra os filhos de Bolsonaro, no que angariou simpatia de muita gente no Planalto, pelo alto grau de antipatia dos "garotos". Defendeu as relações com a China, na batalha insana aberta contra os chineses por setores do novo governo brasileiro. Enquadrou o bizarro chanceler Ernesto Araújo. E ganhou como inimigo o "filósofo" Olavo de Carvalho, guru intelectual do governo e padrinho de dois ministros.

Dentro do Planalto, o general Hamilton Mourão passou a ser visto com reservas por bolsonaristas mais fiéis. O próprio presidente dá mostras de que não confia no seu vice. Embora ainda tenha seu estado de saúde tido como delicado, Bolsonaro estipulou em apenas dois dias a interinidade de Mourão. Montou um gabinete "informal" no próprio Hospital Albert Einstein, onde recebe auxiliares, despacha e manda fotos no leito e de pijama, repetindo o marketing empregado em toda a campanha, após o "atentado" a faca que sofreu.

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Fora do Planalto, Mourão tem brilhado com o seu "sincericismo". Uma corrente de simpatia começou a prender o vice aos sonhos de muita gente. Nas redes sociais correm bolsas de apostas para saber quando o general substitui Bolsonaro do poder. Seja por motivos de saúde. Seja por outros motivos.

É bom ter calma. Pelo conjunto da obra, apostar no general pode não ser a melhor saída democrática para uma crise institucional. E a mudança do governo, pelas personagens em tela, pode sair mais cara que a encomenda.

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