O rock perde com a partida de Erasmo Carlos

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Erasmo Carlos (Foto: Reprodução/Facebook)


Não existe discutir rock no Brasil sem citar Erasmo Carlos. Erasmo esteve presente no início da influencia do rock no Brasil, com o sucesso de Bill Haley & His Comets e a canção "Rock Around the Clock" invadindo as paradas de sucesso da época, trilha do filme Sementes da Violência. Por aqui, Nora Ney fez a versão da música e se torna o marco zero do estilo em terras tupiniquins. As novelas são a porta de entrada do novo estilo que aposta em Celly Campello para popularizar, mesmo com músicas inocentes. Vendo esse cenário que surgia e percebendo sua incrível capacidade em compor letras, Erasmo, com seu charme característico consegue se impor no cenário da época.

 A Jovem Guarda surgia com Roberto, Erasmo e Wanderléa no time de frente, com um sucesso do mesmo tamanho do fenômeno Beatles no mundo. Era muita histeria e sucesso. O programa da Jovem Guarda conseguia bater a audiência do futebol ao vivo, que é um case de sucesso até os dias de hoje. Roberto Carlos, a aposta da mídia para conquistar os jovens, traz trabalhos muito bons desde “Calhambeque”, “Por isso corro demais” e trabalhos mais interessantes como “Você não serve pra mim”.  A grande questão é que de fato, muitos sucessos de Roberto, tinham a parceria de Erasmo. Sempre ficou como coadjuvante do rei, se dar conta da sua própria luz.

Tive contato direto com suas músicas dos anos 80, com “Pega na mentira”, “Mulher” e “Mesmo que seja eu”. Essa separação foi fundamental para que seu trabalho surgisse em primeiríssimo plano, podendo superar Roberto com um show no Rock in Rio para mais de duzentas mil pessoas. O amigo de fé, irmão camarada, tinha luz própria e mostrou que o rock brasileiro podia conversar com outros estilos regionais. Influenciou grande parte da geração do rock anos 80, e os técnicos e donos de estúdios que eram fãs do cantor. Todas umas gerações encontram em Erasmo, um norte para as composições bem humoradas, seja Kid Abelha e os Abóboras Selvagens seja Barão Vermelho. Teve a proeza de ensinar uma geração de músicos, que estavam acostumados com Bossa Nova e Jazz, as batidas do rock.

Sempre fiel ao rock clássico, Erasmo passou pelo momento de baixa do estilo no Brasil, quando começou a predominar os pagodes e logo depois, a música sertaneja. Ele provava que o estilo era longevo como ele. Tivemos movimentos como o grunge, acústicos e agora, temos um retorno do interesse jovem por músicas tanto pelo rock clássico, quanto pelas subdivisões do hard/metal. Compreendeu como poucos todas essas ramificações e tem dois discos que vale a penas ouvir. Um é “Carlos, Erasmo...” e outro “.. Amar pra viver ou morrer de amor”, com uma capa majestosa feita pelo genial ilustrador  Benicio. 

Deu o tom do rock Brasil. A maneira de cantar dentro da influencia da bossa nova, ao invés da tradição americana do Blues e Gospel, que geraram cantores como Robert Plant do Led Zeppeli e Ian Gillan do Deep Purple, ditou a nossa forma de cantar. Era respeitado por Chico Buarque, Gal Costa, Gil e Caetano. E não ficava parado no tempo, dialogando com novos músicos e de diferentes vertentes, desde Billy Brandão, passando por Emicida e Marcelo D2. O Gigante Gentil poderia ser o nosso Buda da música, porém ele mesmo não gostaria de tal manifestação de adoração. Seu ambiente era certamente o palco e não ficou parado no tempo, vivendo de seus sucessos, estava sempre se atualizando e buscando novos conceitos Obrigado, Tremendão.

Minhas lágrimas e os pingos dessa chuva se confundem com meu pranto. Amar pra viver ou morrer de amor.

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