O ronco do capital e o último aviso a Bolsonaro, que fica mais isolado

"O ronco da fome, nos morros e favelas, parece não assustar Bolsonaro, que torce por caos e saques para acionar o aparato de 'ordem'. Mas outro ronco já se ouve: o movimento dos donos do PIB e daqueles que falam em nome dos donos do Capital", escreve o jornalista Rodrigo Vianna

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(Foto: ADRIANO MACHADO - REUTERS)


por Rodrigo Vianna

"Roncou, roncou
Roncou de raiva a cuíca
Roncou de fome

(...)

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A fome tem que ter raiva pra interromper
A raiva é a fome de interromper 

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A fome e a raiva é coisas dos home"

(Aldir Blanc e João Bosco)

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O ronco da fome se espalha pelo Brasil. Em centenas de comunidades, só doações de comida garantem a sobrevivência de quem se debate entre o vírus e o desemprego.

Com a pandemia fora de controle, sem UTIs nem oxigênio por falta de coordenação nacional, Bolsonaro aposta no caos e nas ameaças autoritárias. Usa a PM e o aparato de estado para intimidar e prender adversários que o chamam de genocida. Falou em estado de sítio, o que assustou alguns. Bolsonaro clama pelo caos, porque sabe que perdeu as condições de governar.

Parece não ter, também, condições de impor um golpe clássico: com tropas e armas nas ruas. O discurso do golpe é mais uma forma de amedrontar os adversários (tática típica de todas as guerras) e de manter os seus radicais de pé, com uma bandeira: a intervenção militar.

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Viveremos nas próximas semanas a maior tragédia humanitária da história do Brasil. E o responsável por isso mantém o apoio de algo entre 15% (piso) e 30% (teto) de apoiadores. É muito para evitar movimentos concretos por um impeachment. Mas é pouco para governar.   

Mais que isso: o ronco da fome, nos morros e favelas, parece não assustar Bolsonaro, que torce por caos e saques para acionar o aparato de "ordem". Mas outro ronco já se ouve: o movimento dos donos do PIB e daqueles que falam em nome dos donos do Capital.

Neste fim de semana, circulou carta aberta assinada por cerca de 200 empresários, consultores e economistas "liberais", sugerindo coordenação nacional para medidas de controle adotadas nos governos locais. Como bons tucanos, os liberais evitaram falar em lockdown nacional, para não assustar. Mas chegam a usar a expressão "lockdown emergencial".

A carta foi divulgada primeiro na coluna de Merval Pereira, o que dá a entender que há o dedo da família Marinho e da Globo na articulação. O texto não fala abertamente em impeachment. Longe disso. Mas é o ronco do capital, dando talvez o último aviso ao presidente. Se não coordenar a reação ao caos sanitário, a máquina das elites pode se mover para tirar de cena o capitão genocida. "O Brasil exige respeito", dizem os liberais fingindo que não ajudaram a eleger o inominável.

O capitão já deu muitas mostras de habilidade em tensionar ao máximo, para depois negociar. E as eltes dão a ele sempre uma "nova chance" de agir com racionalidade - à espera de que ele cumpra apenas o papel de agitador e bobo da corte, enquanto Guedes passa o país nos cobres e vende tudo.

Parece que não há mais tempo pra isso. A operação desastrada de troca de Ministro da Saúde mostrou que a ilusão de ter o Centrão a moderar os apetites assassinos do capitão era só isso mesmo: pura ilusão.   

A raiva é a fome de interromper. Tem gente na elite com raiva do capitão. Gente disposta a interromper o mandato dele? Nas próximas semanas, isso pode virar realidade. Não porque a elite liberal tenha espírito humanista, mas porque tem medo.

Medo de morrer em UTIs particulares em que falta até medicamento para intubação. Medo de perder patrimônio e dinheiro, num país que ruma para o caos.

Fora Bolsonaro! Isso também pode virar "coisa dos home" que mandam no PIB; e que ajudaram a eleger o disfuncional capitão genocida.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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