O sanatório geral... vai passar?

Que esse nada plano boulevard chamado Terra virou um enorme sanatório geral, de Washington a Londres, de Suzano a Christchurch, todo mundo sabe. O Brasil, então, em pouquíssimo tempo se tornou o grande pigmeu (com todo respeito aos pigmeus). E, ontem à noite, ouvindo menos de três minutos da Voz do Brasil, veio a certeza de que a página que vivemos é muito mais infeliz do que a gente imagina.

O sanatório geral... vai passar?
O sanatório geral... vai passar? (Foto: Reprodução Youtube)

Que esse nada plano boulevard chamado Terra virou um enorme sanatório geral, de Washington a Londres, de Suzano a Christchurch, todo mundo sabe. O Brasil, então, em pouquíssimo tempo se tornou o grande pigmeu (com todo respeito aos pigmeus). E, ontem à noite, ouvindo menos de três minutos da Voz do Brasil, veio a certeza de que a página que vivemos é muito mais infeliz do que a gente imagina.

O absurdo começou com o deputado Reinhold Stephanes Junior, do PSL-PR, dizendo na Câmara e sendo reproduzido nacionalmente que o movimento fascista nasceu nos sindicatos e pregava a luta de classes, como fazem o PT e o PSOL.

Seja ignorância ou desonestidade intelectual, o fato é que na era da pós-verdade vale absolutamente tudo. E isso é assustador. Um: o fascismo não nasceu nos sindicatos, ele vem justamente de cima para baixo (mais precisamente goela abaixo). Dois: ligar fascismo à luta de classes está no nível daquele promotor de SP, José Carlos Blat, que registrou nos autos que a atitude de Lula deixaria "Marx e Hegel envergonhados". Três: luta de classes com PT e PSOL seria um sonho. Infelizmente, conciliação de classes é o termo mais adequado.

"Outra característica que aproxima partidos de esquerda do fascismo é o fato da bandeira partidária ser considerada mais importante do que a do próprio país", disse o nobre Stephanes.

Uma frase dessa é algo que seria proferido por uma pessoa como aquele esquizofrênico da Havan, que se vende como patriota doente mas possui uma Estátua da Liberdade na porta de cada loja; ou aquela figura maravilhosa que denunciou o vermelho da bandeira do Japão como se tivesse sido incorporado à bandeira brasileira pelos comunistas. Essa gente precisa urgentemente frequentar menos grupos de Zap da família e encerrar de vez o curso por correspondência do Olavo de Carvalho.

Mas não parou por aí. Na sequência, a quase secular Voz do Brasil contou que Alexandre Frota (PSL-SP) informou que a Procuradoria Geral da República admitiu a representação criminal apresentada por ele contra o ator José de Abreu, que se autoproclamou presidente do Brasil.

Amigos, Alexandre Frota e José de Abreu na mesma frase só em reportagem do Vídeo Show em 1992 sobre a novela Perigosas Peruas. Alexandre Frota, agora deputado federal (parabéns, São Paulo), denunciando à PGR José de Abreu, o autoproclamado presidente do Brasil, é o resumo de 2019.

E aí, claro, entra a cereja do bolo, no melhor estilo dono da Havan e figura maravilhosa da bandeira da República Federativa do Sol Vermelho Nascente, pois temos na mesma frase Alexandre Frota, José de Abreu e Lei Rouanet.

Sim! Sempre ela, a cabra expiatória de qualquer ataque à cultura. Segundo Alexandre Frota, o Jaú, de Perigosas Peruas - e agora persona non-grata no Governo Bolsonaro -, o ator José de Abreu (ou Mr. Fry) "teria cometido irregularidades por meio da apresentação de notas fiscais fraudadas para obter recursos da Lei Rouanet".

Querem apostar que no final dessa história o persona non grata em todo lugar será condenado a indenizar o autoproclamado?

Mas a pergunta que realmente fica, é: o sanatório geral... vai passar?

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